terça-feira, 26 de setembro de 2017

Motorista do Uber morto em Feira é enterrado: 'Sofrimento grande'



Juraci Cal Filho, 37, saiu de Salvador, na noite de sexta (22), para fazer corrida particular no interior.
O corpo do motorista do aplicativo Uber, Juraci Laércio Guimarães Cal Filho, 37 anos, foi sepultado no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Quinta dos Lázaros, em Salvador, no final da tarde desta segunda-feira (25). Jurinha, como era conhecido, foi encontrado morto depois de realizar uma viagem para Feira de Santana, a 108 km de distância da capital. Amigos, familiares, vizinhos e colegas dele que também atuavam através do aplicativo lotaram a cerimônia para prestar as últimas homenagens à vítima.
                 
Emocionada, a mãe de Laércio lamentou o crime. “É muito forte ver isso, meu Deus! É um sofrimento muito grande”, declarou. Morador do bairro do Barbalho, Jurinha era conhecido pela vizinhança por ser uma pessoa alegre e tranquila. “Ele trabalhava no Detran durante o dia e rodava Uber de noite”, contou o irmão da vítima, Fernando Guimarães.
Um amigo de infância de Juraci, Marcos Vinicius, ainda não conseguia acreditar. “A gente mora no mesmo local e eu conhecia ele desde os 9 anos. Acho que ninguém tá conseguindo entender, porque ele era um cara do bem e tranquilo. Nossa comunidade toda se mobilizou”, conta. Ele disse que só soube do paradeiro do motorista porque acessou as redes sociais. “Eu vi o pessoal compartilhando a foto dele”.
Juraci havia perdido um filho, de três anos, em 2005. “É muito sofrimento, pois eles enterraram um neto e um filho”, lamentou um vizinho da vítima, que não se identificou. Segundo ele, o motorista tinha tatuado a frase “Para sempre Gabriel”, para homenagear a perda precoce. Por conta do estado em que o corpo foi encontrado, a família teve de ser chamada para fazer o reconhecimento. “Acho que reconheceram Jurinha pela tatuagem, porque disseram que fizeram crueldades com ele [Juraci]”, completou a fonte.
Solidariedade
Os motoristas de Uber foram até o cemitério para dar o último adeus ao colega. O presidente da  Associação de Motoristas Particulares (Ampaba), Natael Vieira, pediu por mais segurança. “Mais uma vez isso aconteceu com um de nossos colegas e nós viemos prestar a solidariedade aos familiares. Agora, vamos aguardar a Justiça”, falou. Os demais condutores também demonstraram insatisfação com o assassinato de Juraci.
A última vez que Juraci viu a mulher e dois filhos foi na noite de sexta-feira (22). Ele recebeu uma ligação e, em seguida, saiu para uma corrida, em Feira de Santana. No entanto, não retornou para casa. “Ele tava no Uber há cerca de um ano e dois meses e usava o dinheiro para complementar a renda”, falou o irmão da vítima, Fernando Guimarães.
Em busca de informações, a família começou a divulgar imagens de Jura nas redes sociais, no dia do sumiço. Ainda segundo Guimarães, o motorista, que foi encontrado morto, ainda teve o carro levado.
Como a viagem foi feita fora do aplicativo, a empresa Uber não registrou nenhuma informação sobre o passageiro e nem sobre o trajeto efetuado pelo motorista. A empresa informou ainda que não vai publicar nenhuma nota, porque o motorista não seguia corrida pela ferramenta. “A última viagem que ele fez pelo Uber foi cedo”, comentou uma tia da vítima, que preferiu não se identificar.  
Familiares e amigos usaram camisa em homenagem à vítima
 (Foto: Milena Teixeira/CORREIO)

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