sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Casal é suspeito de matar filho de 6 meses que estava desaparecido, diz polícia



Um casal que dizia que o filho de seis meses de idade havia sido sequestrado no final de agosto, em Itaperuçu, Região Metropolitana de Curitiba, seria responsável pela morte da criança. O Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride), da Polícia Civil do Paraná, apontou nesta quinta-feira (26) que pai e mãe são suspeitos da morte do próprio filho.
Rafael Kuyava foi preso e Luzia Prestes encaminhada a depor no início da tarde desta quinta-feira. No momento da prisão, a mãe disse que a morte do bebê foi um “acidente”.
“Não convenceu. É um casal muito frio. A criança morreu à noite, só no outro dia que eles resolveram levar, o que fazer com essa criança. A mãe não esboça sentimento nenhum. Às vezes ela chora e às vezes divaga. O pai não sabe a data do nascimento da criança. Os dois não sabem dizer que dia a criança morreu, só que foi no final de agosto”, diz a delegada Iara Dechiche, responsável pela investigação.
Orientada pelo Rafael, a polícia encontrou o corpo enterrado em área afastada de Itaperuçu, em um matagal, atrás de uma pedreira (veja no mapa). O corpo teria sido enterrado há pelo menos 25 dias.
Investigação
Inicialmente, de acordo com a Polícia Civil, o casal alegava que o filho havia sido sequestrado por quatro mulheres. Uma ocorrência foi registrada na delegacia de Almirante Tamandaré, município vizinho, e mensagens sobre o desaparecimento circulavam na internet.
O pai da criança, que já havia sido preso por roubo, é foragido da Colônia Penal Agrícola, em Piraquara, na Grande Curitiba, e havia um mandado de prisão em aberto contra ele. Após isso ser constado na investigação de desaparecimento, a polícia foi atrás da mãe, que trabalha em um supermercado. A mulher levou os policiais até o marido que questionaram o casal sobre o desaparecimento da criança.
A mãe teria dito, então, que na verdade o filho morreu afogado em um banho. Por medo de contar à polícia, tendo em vista os antecedentes do marido, o casal teria inventado a história do desaparecimento.
“Ontem pela manhã, nós recebemos uma requisição do Ministério Público de Rio Branco do Sul para que nós investigássemos se esse caso do casal que o filho teria sido sequestrado por quatro pessoas. E que essa história não estava bem contada, que os vizinhos não acreditavam. Porque essa criança sempre chorou muito, sempre apresentou algumas marcas pelo corpo, pediu a investigação e apontou o local onde a mãe possivelmente estivesse trabalhando. Os investigadores foram até lá, ela veio de boa vontade, não esboçou nenhuma reação. Ela queria confirmar a história de que o filho teria sido sequestrado por quatro pessoas que abordaram ela na rua”, conta a delegada.
“Nós desconfiamos, com tudo que já sabíamos, e ela confessou. Dizendo que ela estava dando banho no filho, que esse filho morreu afogado. E que ela tentou reanimar o filho e que o filho se reanimou, que ele ficou meio molinho, e que eles puseram para dormir. Quando ela voltou a ver ela viu que a criança tinha morrido”, relata a delegada Iara Dechiche.
“Aí, enrolaram o bebê em um cobertor e saíram para ver onde enterrar a criança. Como a situação ficou difícil para eles, porque os vizinhos começaram a desconfiar, eles mudaram de Itaperuçu para Almirante Tamandaré. Lá, ela foi até a delegacia para registrar um boletim de ocorrência. por sequestro. Ela não chegou a terminar o registro porque começou a passar mal. Aí ela foi para um hospital, de onde ela fugiu”, contou a delegada.
Um laudo do Instituto Médico Legal deve apontar a causa da morte da criança. Os dois foram levados à delegacia de Rio Branco do Sul. O pai deve ficar preso inicialmente em razão do mandado aberto contra ele.
Pai nega homicídio
Rafael Kuyava nega o homicídio. “Depois que fomos ver que ele tinha falecido. Ele tinha se afogado. Colocamos ele para dormir na cama e achamos que ele estava vivo. Minha mulher tentou socorrer ele, não conseguiu, ele estava meio esmorecido e colocamos no berço. Na verdade ele faleceu mais depois. [Levei ele para enterrar no morro] porque eu estava foragido”, disse o suspeito que cumpria pena por assalto.
Rafael disse que a criança vomitou a água que havia engolido. “Dali um pouco fomos ver e ela [a criança] já estava geladinha. Na hora a gente não pensa direito”, argumenta o rapaz ao responder porque não saiu de casa para que a esposa pudesse chamar a polícia.
A polícia aguarda uma decisão da Justiça para garantir que a mulher também fique presa, já que não houve flagrante. Os dois devem ser processados por homicídio e ocultação de cadáver. UOL

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