terça-feira, 3 de outubro de 2017

'Não consigo entender o motivo', diz filho de PM morto em Brotas



Centenas de pessoas compareceram ao sepultamento do sargento reformado Carlos José de Jesus Cruz, 50 anos, na tarde desta terça-feira (3), no cemitério Bosque da Paz, na Estrada Velha do Aeroporto. A cerimônia foi marcada pela emoção de familiares, amigos e colegas de profissão do PM aposentado, assassinado quando fazia a segurança de um estabelecimento comercial, no bairro de Brotas.
Carlos morava no Barbalho com a atual mulher e deixa quatro filhos. Um deles, Jobert Cruz, 23 anos, lamentou a perda do pai. "Até agora não consigo entender o motivo disso. Não consigo entender por que fizeram isso com ele. Eu não sei nem o que fazer", afirmou. Durante a cerimônia, o jovem se emocionou diversas vezes ao lembrar da conduta do sargento Cruz, com quem morou no ano passado, e a quem considerava um "homem muito tranquilo".
Parentes do polícial se emocionam durante sepultamento (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
Cunhado da vítima, Fábio Carlaio disse que o crime abalou a vizinhança e os parentes. “Carlos tinha acabado de almoçar quando os criminosos chegaram. Ele era um homem bom e tinha se aposentado para ficar mais com a família. Meu cunhado era apaixonado pela mãe e gostava de ver todo mundo reunido no final de semana”, falou. Para ele, a morte do policial pode ter sido por engano.
“A gente acha que ele foi confundido com um cara parecido com ele”, comentou. Segundo a polícia, quando foi atingido, Cruz estava de costas para os atiradores. 
Um policial, que não quis se identificar, também acredita na possibilidade de o sargento aposentado ter sido confundido pelos assassinos - segundo testemunhas, três homens, a bordo de duas motos, passaram atirando.
O agente penitenciário Bruno Santos trabalhou por cerca de 10 anos ao lado de Carlos e lembra com carinho do amigo. “Eu nem sabia que ele estava fazendo esse bico, como segurança. Eu tinha o visto pela última vez há dois anos, mas ainda lembro que ele era um ótimo profissional e excelente amigo. Infelizmente, essa fatalidade aconteceu”, declarou.
Outro policial, que não se identificou, também foi prestar as últimas homenagens ao colega. “Foram 28 anos juntos e eu não consigo entender o que aconteceu. Carlos era um gigante inocente. Ele era um homem grande, um guerreiro”, afirmou. 
Relembre o caso
Policial da reserva remunerada, Carlos José de Jesus Cruz, 50 anos, foi assassinado a tiros na Ladeira da Cruz da Redenção, no cruzamento entre a Rua Campinas de Brotas e a Avenida Dom João VI, no início da tarde desta segunda (2). De acordo com a polícia, o sargento aposentado estava em um bar, quando dois homens ainda não identificados passaram em uma moto atirando.
Carlos fazia segurança em uma loja de frios às segundas-feiras. O crime aconteceu em frente a uma loja de uma rede fast food. Segundo a perita Karla Camacam, o PM estava de costas quando foi atingido por cinco disparos - dois na cabeça e, logo depois, três no tórax. Foram pelo menos sete disparos.
Investigação
A força-tarefa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) ainda investiga a morte do sargento Cruz. O delegado Odair Carneiro, responsável pelo caso, já começou a ouviu testemunhas do atentado. 
O secretário de Segurança Pública Maurício Teles Barbosa determinou prioridade na investigação da morte do policial. Ele também foi ao enterro do sargento. Por meio de nota, na segunda, o titular da SSP lamentou a morte de Carlos.
“Era um homem honesto e trabalhador, que enquanto serviu à polícia baiana sempre foi exemplo de dedicação. Não vamos baixar a guarda enquanto não aprendermos os autores deste crime”, declarou.
Mortes de policiais na Bahia
Carlos José Cruz foi o 18º policial militar assassinado na Bahia este ano. Durante o velório, alguns policias falaram sobre a insegurança e a impunidade com relação às mortes dos policiais. “Hoje em dia não se pode nem falar que é policial. Que segurança nós temos? Por isso que essas coisas continuam acontecendo”, comentou o sargento aposentado Jorge Britto. 
O também sargento da reserva Washington Lima pediu ajuda das autoridades. “Nós dedicamos nossa vida à polícia e corremos riscos. Quando um policial morre, quem perde é a sociedade. Alguém precisa fazer alguma coisa”, clamou
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