domingo, 29 de outubro de 2017

PABLLO VITTAR: Trajetória do menino pobre que fazia show em troca de pizza ao estrelato


Pabllo Vittar: o menino que cantava na calçada de chão batido na periferia do Maranhão chegou lá

Quando se “apresentava” na calçada de chão batido da Segunda Travessa do Espírito Santo, no bairro de Cangalheiro, na periferia de Caxias, no interior do Maranhão, Phabullo Rodrigues da Silva já sonhava com o estrelato. Ainda que a carreira artística fosse algo impensável e distante daquele cotidiano de pobreza e olhares tortos, o menino tímido, alto e delicado sabia onde queria chegar.
Prestes a completar 23 anos, Pabllo Vittar conquistou seu lugar no cenário musical, é popular, uma boneca viva para as crianças, a drag queen que jogou na cara da tradicional família brasileira sua voz aguda, o cabelão e um recado: vão tê-lo (a) de engolir durante muito tempo.
                 Pabllo Vittar: o menino que cantava na calçada de chão batido na periferia do Maranhão chegou lá
Pabllo Vittar no programa de Thiago Miranda Pabllo Vittar no programa de Thiago Miranda Foto: reprodução/instagram
O caminho até aqui, no entanto, foi tão sinuoso quanto suas curvas. Pabllo jamais conheceu o pai e viu a mãe, Verônica Rodrigues, criar três filhos sozinha com um salário modesto de técnica de enfermagem.
            Pabllo Vittar no programa de Thiago Miranda
Pabllo Vittar: o menino que cantava na calçada de chão batido na periferia do Maranhão chegou lá Pabllo Vittar: o menino que cantava na calçada de chão batido na periferia do Maranhão chegou lá Foto: Bob Wolfenson/ reprodução/instagram
Vindo de uma família grande formada pelo avô Aquino, que teve mais de 20 filhos, Pabllo tinha nas primas e tias a proteção que precisava quando o olhar machista o perseguia. “As pessoas riam dele dançando na porta de casa. Agora querem pedir foto, dizem que o conhecem”, conta a prima Gislany Gleyce: “Ele sempre foi esforçado, inteligente. Ganhou bolsa para fazer curso de inglês. Pegava tudo rápido”.
                     Pabllo Vittar com a prima Gislany: ele continua o mesmo
A cabeleireira se lembra bem das primeiras apresentações de Pabllo. “Ele nunca se montou na cidade. Mas tinha bom gosto e dentro das possibilidades dele conseguia arrumar o cabelo, fazer maquiagem, ter uma roupinha legal”, recorda ela, que via o avô bufar algumas vezes com seu neto requebrando ao som de Beyoncé. “Ele dizia para Pabllo entrar para casa, que aquilo não era coisa de homem. Hoje, tem o maior orgulho”.
                  A casa de periferia onde Pabllo Vittar morou na adolescência hoje é um salão
A identificação com Beyoncé era tanta que o primeiro nome artístico tinha o sobrenome da diva. Foi como Pabllo Knowles que ele deu os primeiros passos na carreira. Por pouco, a música não foi trocada pelas escovas e tesouras. Ao se inscrever num projeto social, Pabllo procurou um curso de cabeleireiro. Mas dois professores de canto prestaram atenção naquela voz incomum e incentivaram o garoto a continuar sonhando.
A casa de periferia onde Pabllo Vittar morou na adolescência hoje é um salão A casa de periferia onde Pabllo Vittar morou na adolescência hoje é um salão Foto: reprodução/instagram
Quando o apresentador Thiago Miranda estreou um programa semanal na TV local, Pabllo não saía de sua plateia. “Ele pedia sempre para cantar e dançar. Eu não sabia nada sobre o Pabllo”, recorda o maranhense: “Um dia o chamei para o palco e vi que o talento dele era indiscutível”.
               Pabllo Vittar e Thiago Miranda, que deu espaço para a dra cantar
Pabllo Vittar não se montava quando morava em Caxias, no Maranhão Pabllo Vittar não se montava quando morava em Caxias, no Maranhão Foto: reprodução/instagram
Foram cerca de 40 participações em dois anos de programa. Algo que começou a incomodar a direção da emissora na época. “Me chamaram e disseram que era para dar uma parada porque a família caxiense não estava achando legal. Retruquei e disse que chamaria Pabllo quantas vezes eu quisesse porque era a família caxiense que o queria ali”, desafiou.
Pabllo Vittar e Thiago Miranda, que deu espaço para a dra cantar Pabllo Vittar e Thiago Miranda, que deu espaço para a dra cantar Foto: reprodução/instagram
Logo depois, Pabllo foi parar em Belo Horizonte, segundo Thiago, para se inscrever num programa de calouros. A prima Gislany conta que o sonho dele era cantar no palco do Raul Gil. “Acabou não acontecendo e o sucesso dele chegou antes”, avalia ela.
Pabllo Vittar entre as irmãs Pollyana, à esquerda, e Phamella, sua gêmea Pabllo Vittar entre as irmãs Pollyana, à esquerda, e Phamella, sua gêmea Foto: reprodução/instagram
O rapaz, que fazia shows em troca de fatias de pizza no início da carreira, hoje é estrela de campanhas de multinacionais, fatura cerca de R$ 80 mil por show, tem a agenda bloqueada até o primeiro trimestre de 2018 e já faz parcerias internacionais. “Quando ele fazia Faculdade de Moda em Belo Horizonte, cheguei a ligar e o chamei para um projeto com um DJ em São Luis do Maranhão. Ele me disse que queroia tentar a carreira no Sudeste um pouco mais. Logo depois, gravou o CD dele e estourou. Ainda bem que ele não voltou”, avalia Thiago.
Pabllo Vittar bo início de carreira Pabllo Vittar bo início de carreira Foto: reprodução/instagram
Os dois voltaram a se encontrar por acaso numa gravação de “Amor e sexo”. “Fui a convite de um bailarino amigo e estava na plateia quando Pabllo me viu e se emocionou. Fora daquela personagem, aquele mulherão que enfeitiça, ele é o mesmo garoto gentil e carinhoso de antes. Um cara que nunca negou quem era e não fez tipo, mesmo transitando num universo machista e preconceituoso. Pabllo é hoje um ícone para uma geração. Alguém que chegou lá sendo quem é”.
Pabllo Vittar: a pizza como cachê foi trocada por R$ 80 mil por show Pabllo Vittar: a pizza como cachê foi trocada por R$ 80 mil por show.
Foto: reprodução/instagram/ Extra 

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