quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Médicos da ITOAM fazem manifestação sobre a fragilidade no sistema da saúde



Nesta terça-feira, 28, um grupo de médicos especialistas do Instituto de Traumato-Ortopedia (ITOAM) fez uma declaração pública nas redes sociais para a população amazonense, nela é detalhada a escassez da saúde, a falta de materiais básicos e salas cirúrgicas não preparadas. Além disso, eles afirmam que não vão paralisar os atendimentos, mas que eles atenderão apenas em um hospital de Manaus. E explica que para os pacientes que tiverem um caso mais grave, eles vão ajudar até onde for alcance deles.
Veja a publicação na íntegra:
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO AMAZONENSE
Somos o Instituto de Traumato-Ortopedia – ITOAM, prestadores de serviço ao Governo do Estado há mais de 20 anos, e queremos, por meio desta, explicar as razões que nos levaram a uma medida tão incisiva como essa manifestação que hoje se desenha.
Desde a inauguração do HPS Dr. Aristóteles Platão Araújo, há 11 anos, não se investe na construção de nenhum leito cirúrgico para a ortopedia.
Ao invés de investimentos, fomos retirados dos SPAs, diminuindo nossa oferta de serviços de 14 para 8 unidades.
Hoje, vivemos uma crescente situação de caos nas unidades de saúde, com falta de materiais básicos e até problemas com espaço físico, por serem essas antigas e pendentes de modernização.
O ATRASO NOS PAGAMENTOS, então, beira o absurdo prazo de 4 meses. É a versão do ESCRAVO MODERNO.
Quando decidimos nos manifestar, pensamos como MÉDICOS que somos e, para que a população não fosse prejudicada, escolhemos estar TODOS na Unidade que melhor oferece condições para a execução do atendimento ortopédico: O HPS João Lúcio P. Machado, onde a falta de materiais básicos, ou de salas cirúrgicas, ou de leitos disponíveis para internação, é muito menor que os demais.
Naquela Unidade, a população terá o atendimento que merece. Nas demais, não podemos garantir.
No HPS Dr. Aristóteles Platão Araújo, por exemplo, um Ofício da Diretoria afirma a superlotação daquela Unidade e solicita que pacientes com fraturas complexas, como aquelas que envolvem articulações do punho e cotovelo, sejam encaminhados ao “sistema”, pra tentar a sorte no SISREG. Não compactuamos com isso, pois sabemos dos longos prazos e da quase certa evolução para sequelas.
Outro exemplo seria o HPS 28 de agosto que, por falta de pagamento ao fornecedor de material cirúrgico, das 37 caixas de material que chegou a ter disponíveis, hoje tem apenas 6.
Pacientes com mais de 60 dias internados e muita insatisfação, que não pode ser direcionada a nós, já que os maiores causadores estão nas cadeiras de Gestores.
Das Unidades infantis, também escolhemos o HPS Dr. João Lúcio, vez que as demais, situadas nas Zonas Oeste e Sul, apresentam graves problemas, como falta de instrumental cirúrgico adaptado para crianças, sistema de ar-condicionado muitas vezes inoperante, comprometendo a saúde de todos. Há ainda a falta do intensificador de imagens (raio-x) na sala cirúrgica, componente indispensável para cirurgias em crianças. Isso faz com que se precise esperar por até 20 minutos a revelação de um filme, expondo a criança a um tempo anestésico maior e, consequente maior risco; ainda teríamos mais a relatar.
O Código de Ética Médica é claro, no seu Capítulo II, Direito dos Médicos, incisos IV e V, quando diz, em resumo, que caso o médico que assume o plantão observe que faltam condições mínimas para a boa execução do mesmo, pode se negar a fazê-lo, notificando os responsáveis pela Unidade e o CRM. Imaginem se isso fosse levado “ipsi literis”?!
NÃO PARALISAMOS!
SEM NENHUMA REDUÇÃO NOS QUADROS, continuamos os atendimentos contando com 100% dos Plantonistas da Escalas, fazendo o que julgamos ser melhor à população do nosso Estado.
Caso qualquer órgão de fiscalização queira nos indagar quanto à veracidade do que aqui expomos, estaremos à disposição para tal.
Faz tempo que fazemos o possível e o impossível para manter tudo funcionando, mas há um limite. Nossos pacientes não merecem correr riscos e não deixaremos isso acontecer.
O desrespeito que essas últimas Gestões do Governo vêm tendo com a ortopedia chegou a um limite inaceitável, impondo-se a manifestação como forma de resgate da dignidade da profissão, independente de especialidade.
Não se trata apenas de ter a regular remuneração pelo trabalho, mas principalmente de RESPEITO e DIGNIDADE.
Não queremos agir de forma beligerante, mas somos forçados a isso todos os dias. É preciso mostrar a todos a real face dessa “saúde”.
118 médicos-especialistas-subespecialistas do ITO-AM.
CM7

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