quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Vice de Cabrália assume prefeitura após gestor ser afastado por fraude


Carlos Lero (PSC) assume a prefeitura de Santa Cruz Cabrália

A suposta fraude ocorre, desde 2009, em Santa Cruz Cabrália, além de Porto Seguro e Eunápolis, onde os prefeitos Cláudia Oliveira e José Robério Batista de Oliveira, ambos casados e do PSD, também foram afastados. Eles se apresentaram à PF nesta quarta-feira (8). 
Uma decisão judicial motivou a Operação Fraternos, deflagrada nesta terça (7), com o objetivo de desmantelar a quadrilha.
Os três prefeitos afastados são parentes: além do casal, Agnelo é irmão de Cláudia.
Em Cabrália, a posse de Carlos Lero, candidato derrotado a vice-prefeito em 2012 e a vereador em 2004, ocorreu de forma tímida na Câmara de Vereadores. A posse foi dada pelo presidente da Câmara, Romali Rodrigues da Silva Pairana (PSD).
Agnelo não compareceu à posse porque, conforme a decisão da juíza federal Maria Castro Debelli, do Tribunal Federal da 1ª Região, os gestores afastados estão proibidos de ter relações próximas com funcionários da prefeitura e secretários.
O CORREIO não conseguiu contato com Carlos Lero. Nesta quarta, o prefeito afastado Agnelo divulgou uma nota à imprensa afirmando que não vê “sentido na decisão proferida” contra ele.
“Confesso a todos que foi com muita surpresa que recebi este episódio. Tenho a consciência tranquila quanto às acusações que me estão sendo feitas e não vejo qualquer sentido na decisão que me afasta do mandato”, disse ele.
Para Agnelo, o afastamento “foi um equívoco, pois no período dos fatos imputados não era prefeito e sim empresário”. “Estão me acusando de ser dono de uma empresa que nunca me pertenceu, mas tenho a certeza que tudo será esclarecido”, declarou.
Agnelo estava em seu primeiro mandato de governo, sendo também a primeira vez que assume como gestor público. Em 2012, tentou ser candidato a vice na chapa do ex-prefeito Jorge Pontes, do PT, mas a Justiça Eleitoral barrou e ele renunciou.
Na Operação Fraternos, Agnelo foi alvo de um mandado de condução coercitiva – quando a pessoa é obrigada a depor na delegacia. Não encontrado pela PF, no início da operação, logo pela manhã, ele compareceu à delegacia à tarde, e depois foi liberado.
Depoimento de casal
Já o casal José Robério e Cláudia Oliveira compareceu na manhã desta quarta-feira (8) na Delegacia da Polícia Federal, em Porto Seguro, acompanhados apenas do advogado Maurício Vasconcelos, especialista na área criminal.
O depoimento dos dois levou pouco mais de três horas, cada um. “Eles negam todas as acusações e, mesmo sem ter acesso ao inquérito, responderam todas as perguntas do delegado. Acredito que ainda serão chamados para depor”, disse Vasconcelos.
O advogado disse que irá entrar com ação para que os gestores possam voltar aos cargos. O CORREIO tentou contato com o delegado chefe de Porto Seguro, mas sem sucesso.
Próximas posses 
As assessorias jurídicas e de comunicação das prefeituras de Porto Seguro e Eunápolis informaram que a data da posse dos vice-prefeitos dos respectivos municípios ainda não está marcada.
Em nota, a Prefeitura de Porto Seguro declarou que “a operação não possui nenhuma relação com o atual trabalho do Executivo municipal” e que “todas as repartições estão em pleno funcionamento”.
“Segue a normalidade dos muitos projetos e ações em execução, esperando que todos os fatos ocorridos sejam brevemente esclarecidos”, diz a nota. A Prefeitura de Eunápolis não enviou comunicado sobre o assunto.
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