segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Velejadores baianos presos com uma tonelada de cocaína foram vítimas de quadrilha internacional



Os velejadores baianos Rodrigo Dantas, de 25 anos e Daniel Dantas, de 43, o gaúcho Daniel Guerra, de 36 anos, e o capitão francês Olivier Thomas, presos em Cabo Verde no dia 22 de agosto com uma tonelada de cocaína, carga avaliada em cerca de R$ 800 milhões, afirmam que foram enganados. A droga foi encontrada sob o assoalho do veleiro Rich Harvest, em um esconderijo coberto de cimento. A Polícia afirma que recebeu uma denúncia anônima.
De acordo com a BBC, foram 18 dias navegando em alto-mar, entre Natal (RN) e Cabo Verde, enfrentando princípio de incêndio, furacões, problemas elétricos, hidráulicos, motor de barco fundido, ondas gigantes, água entrando no casco, telefone via satélite quebrado e doenças.
Para muitos, ler isso poderá ser um sofrimento, mas para mim é uma alegria, ‘it’s my job’ (é o meu trabalho), que me motiva e me deixa mais vivo com gana de quero mais. Agora descansar? Hahaha. Que nada! Bora carimbar o passaporte e consertar o que tem para fazer, e vamos para o surf em mama África. E, se der um tempo, tomar uma cerveja e desfrutar da cultura local”, relatou na época no Facebook Daniel Guerra.
Horas depois da postagem, os quatro foram detidos. O francês e o gaúcho foram presos em flagrante no barco e desde então, estão encarcerados em Mindelo, na ilha de São Vicente. Já os baianos estavam em terra, pois haviam sido demitidos – o primeiro porque teria discutido com o capitão e questionado as condições do barco para prosseguir viagem até Açoures e, o segundo, porque teria passado mal durante a viagem toda e ajudado pouco. Eles ganharam o direito de responder ao processo em liberdade, até que um juiz determinou, há alguns dias, que fossem presos por “risco de fuga”, entre outras alegações.
Os três brasileiros envolvidos no caso alegam inocência e afirmam desconhecer que estivessem transportando drogas. Eles dizem terem sido enganados por uma quadrilha internacional da qual faria parte o contratante da viagem, um inglês que se chamaria George Saul, de apelido Fox (raposa). Autoridades de Cabo Verde dizem que essa pessoa está na lista de procurados da Interpol. O julgamento deles deve ocorrer em até 45 dias.
Eles respondem à acusação do Ministério Público de Cabo Verde de “crime de tráfico de drogas de alto risco”. O órgão alega que o crime aconteceu desde o primeiro momento em que a droga começou a ser transportada. A pena pode chegar a até 20 anos de reclusão, se for comprovada a associação ao tráfico. O baiano Daniel Dantas relatou à família ter sofrido ameaça de morte “caso não confessasse o crime”, quando foi preso há alguns dias. Sua irmã Barbara Dantas procurou a Embaixada do Brasil em Cabo Verde para pedir que ajudassem a preservar a integridade física do irmão. O Itamaraty confirma ter recebido o pedido e diz que deslocou um diplomata para checar a situação dos presos. Os familiares apresentaram atestados negativos de antecedentes criminais dos velejadores, assim como e-mails trocados com a empresa que os contratou, além de passagens e fotos.
Guerra, Rodrigo e Daniel Dantas, que não têm parentesco, dizem que foram alertados de uma vaga de trabalho como marinheiros pelo instrutor náutico Arturo Justicio, com quem tiveram aulas em Ilhabela, no litoral de São Paulo. O professor viu um anúncio de seleção de tripulação no Brasil, para conduzir um veleiro até Açoures. A oferta partiu da empresa holandesa The Yacht Company, que oferece “delivery” de embarcações, ou seja, contrata profissionais para levarem barcos de um lugar a outro pelo mundo. Justicio se lembrou dos alunos e encaminhou o anúncio.
A empresa oferecia passagens para as cidades de onde partiriam e de onde regressariam e alimentação. Em troca, além da experiência, os velejadores ganhariam milhas náuticas – com a soma destas, eles poderiam ir conquistando novas categorias de habilitação na Marinha. Como os três brasileiros queriam ganhar a vida velejando e diziam precisar dessas milhas, se inscreveram e foram aceitos para o trabalho. Guerra e Rodrigo foram os primeiros selecionados. Daniel Dantas só entrou na história, dizem, depois que uma terceira pessoa desistiu da viagem, quando o barco apresentou os primeiros problemas técnicos em Natal (RN).
Em Salvador, de onde o barco saiu no dia 29 de junho, Rodrigo e Guerra conheceram o contratante da viagem, o inglês de apelido Fox. O pai de Rodrigo, João Dantas, diz que até levou o estrangeiro para almoçar, já que queria conhecê-lo melhor. Diz tê-lo achado “uma simpatia” e conta que ele assegurou que o barco estava em boas condições para viajar, o que, segundo os tripulantes, não seria verdade.
O inglês George Fox
A embarcação teria apresentado os primeiros problemas ainda no Brasil e teria sido preciso ancorar em Natal para o conserto, que levaria quase um mês. O inglês Fox teria abandonado o grupo no dia 16/7, dizendo que voltaria para a Europa. No dia 24/7, eles zarparam rumo a Açoures e teriam enfrentado durante viagem os problemas relatados por Guerra em seu Facebook. O holandês Cuno Landman, dono da The Yacht Company, afirmou inicialmente que “não conhecia” a história. Porém, logo depois, disse por e-mail que rompeu o contrato da entrega do barco ainda no Brasil.
Com informações da BBC

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