quarta-feira, janeiro 21, 2026

Caso Bacabal: criança resgatada descreve noites de medo


No dia 20 de janeiro de 2026, completam-se 17 dias desde que as buscas por **Ágatha Isabelly**, de 6 anos, e **Allan Michael**, de 4 anos, irmãos que vivem na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, interior do Maranhão, foram iniciadas. O que começou como uma simples brincadeira de crianças na mata transformou-se em um drama que mobiliza centenas de pessoas.

O único sobrevivente do trio, o primo **Anderson Kauan**, de 8 anos, foi resgatado sozinho no dia 7 de janeiro. Seu depoimento à Polícia Civil trouxe os primeiros contornos da história: no dia 4 de janeiro, os três saíram em busca de um pé de maracujá. Apesar do aviso de um tio para voltarem, eles escolheram um caminho diferente, desviando para dentro de uma mata densa — e ali o mundo conhecido acabou.

Por pelo menos duas noites, segundo o relato do menino, eles permaneceram juntos, enfrentando o medo e o frio da floresta. Encontraram refúgio em uma cabana abandonada, apelidada pelos moradores locais de “casa caída” — um lugar precário, com uma cadeira velha e um colchão em ruínas, que serviu de abrigo improvisado. Em outros momentos, dormiam diretamente sob as árvores, expostos à umidade e à escuridão

No terceiro dia, porém, o cansaço venceu. Exaustos, com dificuldade para andar, Ágatha e Allan não conseguiram mais prosseguir. Anderson, impulsionado pelo desespero de encontrar uma saída, decidiu seguir sozinho. “Ele queria achar a saída. Estava perdido”, resumiu o delegado Ederson Martins, que conduz a investigação.

O menino acabou sendo avistado por um carroceiro, a cerca de 4 km do ponto de partida, visivelmente debilitado e desorientado. Ao ser abordado, disse apenas que os primos estavam “mais à frente”. Desde então, as equipes concentram esforços nas áreas indicadas pelo depoimento, mas sem sucesso até o momento.

O delegado destaca que, apesar das informações valiosas, o relato de Anderson apresenta lacunas: o menino tem dificuldade para precisar locais exatos ou medir o tempo passado na mata, com episódios de confusão e apagões de memória — compreensíveis após o trauma e a desnutrição extrema (ele perdeu cerca de 10 kg em poucos dias).

As operações de busca entram agora na terceira semana, com mais de 500 pessoas envolvidas — voluntários da comunidade, bombeiros, policiais civis e militares, Exército, Defesa Civil e, desde meados de janeiro, reforço da Marinha, que utiliza sonar no rio Mearim próximo. A mata fechada, o relevo irregular e a vastidão da área (dividida em quadrantes e varrida repetidamente) tornam o trabalho exaustivo.

Enquanto isso, a angústia da família e da pequena comunidade quilombola cresce a cada dia que passa sem notícias. A esperança persiste, alimentada pelo esforço incansável de todos os que se unem nessa busca — mas o silêncio da mata continua sendo o maior desafio.


F. FIQUE SABENDO 

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