O senador Otto Alencar (PSD) afirmou que ofereceu ao colega de partido Angelo Coronel (PSD) a possibilidade de disputar a reeleição ao Senado como candidato avulso, fora da chapa majoritária governista, mas com garantia de legenda. Segundo Otto, a alternativa foi apresentada diante das diferenças de posicionamento político entre os dois senadores e da aproximação de Coronel com o campo da oposição na Bahia.
“Eu disse: olha, não vai para a chapa, mas sai candidato avulso, está garantido a legenda, não há como não garantir a legenda”, afirmou Otto, ao comentar as conversas internas no PSD sobre a sucessão estadual de 2026.
De acordo com o senador, apesar da relação pessoal próxima entre ambos, ele nunca abriu espaço para diálogo político com o grupo oposicionista liderado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Otto afirmou que a situação é diferente no caso de Coronel. “Já o Ângelo abriu. Ele disse, em certa feita, que conversava mais com o ACM Neto do que com o próprio governador”, declarou durante entrevista a TV Band.
Otto também destacou as diferenças de alinhamento político entre os dois parlamentares ao longo dos últimos anos. Segundo ele, enquanto manteve uma atuação de oposição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Senado, Coronel construiu uma relação mais próxima com setores da direita. “São dois senadores do partido. Um caminhou para um canto e outro caminhou de outra forma”, disse.
O senador do PSD afirmou ainda que Coronel mantém relações pessoais e políticas com nomes centrais da oposição baiana, como ACM Neto e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), além de interlocução frequente em Brasília. “Eu respeito muito todos eles, mas eu não tenho essa relação”, afirmou.
Ao justificar sua permanência no campo governista, Otto ressaltou que sua trajetória política está vinculada ao grupo liderado pelo PT na Bahia desde 2010. “Minha posição sempre foi muito conhecida, de estar no grupo que me elegeu em 2010, que me ajudou a eleger em 2014 e agora em 2022”, disse.
O senador também citou o histórico de apoio eleitoral entre os aliados. Segundo ele, em 2022, recebeu votos majoritariamente do eleitorado petista. “Eu tive uma votação agora que acredito que todo petista votou comigo”, afirmou. Otto lembrou ainda que, em 2018, quando Coronel foi eleito senador com quase 4 milhões de votos, contou com apoio explícito do PT. “Wagner chegava nos comícios e dizia: eu não quero que você vote em mim, quero que você vote no Coronel”, recordou.
bahia-ba

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