sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Réu que confessou chicotear genro na Bahia é absolvido: ‘Vai sentir a dor que ela sentiu’


O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) absolveu o réu Luiz Carlos da Silva das acusações de tentativa de homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado contra o seu então genro, Charles Barreto Durães. 

O caso, ocorrido em dezembro de 2015 na zona rural de Irecê, no norte baiano, ganhou repercussão nacional após a divulgação dos vídeos do júri popular, realizado em novembro de 2025, onde o sogro detalha, sem hesitação, como planejou e executou a sessão de agressões.

Confissão do sogro

Diante do juiz, Luiz Carlos admitiu o uso de um chicote e uma faca, justificando a ação como uma resposta às agressões sofridas por sua filha, que estava grávida na época.

“Eu preparei um chicote de amansar burro. Para que que eu vou negar? Se for a verdade, a mentira só vale até enquanto a verdade não chega”, declarou o réu durante o depoimento.

Segundo o relato de Luiz Carlos, ele atraiu o genro para uma propriedade rural sob o pretexto de um passeio. No local, ele confrontou Charles sobre os maus-tratos contra a filha, que escondia hematomas sob roupas longas. O sogro afirmou que, ao ser questionado, o genro teria admitido bater na esposa “para respeitar homem” e por conflitos financeiros envolvendo o enxoval do bebê.

Ao ouvir a confissão, Luiz Carlos iniciou as agressões. “Qual é o lugar que tu mais gosta de bater na minha filha? (…) Tu agora vai sentir a dor que ela sentiu”, disse o sogro antes de desferir um soco que derrubou o genro. 

“Eu dei de oito a 12 chicotadas com a faca nas costas dele. (…) Eu falei: ‘Ó, bicho, não vou te matar não. Agora tu vai levar a marca do teu sogro’.”

Assista à confissão

Versão do genro

Charles Durães, que chorou durante o depoimento, apresentou uma versão mais grave. Ele alegou que o sogro estava armado com um revólver, o obrigou a deitar no chão, pisou em seu pescoço e o amarrou. Charles afirmou ainda que foi exposto e agredido em praça pública diante de moradores e agricultores.

A defesa de Luiz Carlos, contudo, sustentou que não houve intenção de matar (animus necandi). O próprio réu reforçou essa tese: “Se eu tivesse intenção de matar ele, gente, onde que ele estava aqui essas horas? Eu acho que nem a terra comia ele mais”.

Absolvição

Após analisar as provas e os depoimentos, o conselho de sentença decidiu pela absolvição do réu das acusações mais graves. Ao ouvir o veredito, Luiz Carlos se emocionou e ajoelhou-se no chão do fórum.

Apesar do episódio de violência ocorrido há dez anos, foi revelado durante a audiência que Charles e a filha de Luiz Carlos continuam casados até hoje. A mulher não compareceu ao julgamento para depor.

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F. MÍDIA BAHIA

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