Um passeio no shopping para compras de Dia dos Pais se transformou na rota da morte de Rita de Cássia Tavares Giacon Martinez, 39, uma mãe que foi raptada com a filha de um ano no dia 6 de agosto de 2009, no estacionamento do Iguatemi. O sequestro deu início a uma investigação que acabou na descoberta do “maníaco do shopping”, que assombrou Salvador.
O caso ganhou repercussão nacional após a identificação do autor do crime. Gilvan Cléucio de Assis, preso por sequestrar, tentar estuprar e matar Rita, também circulava no shopping por causa do Dia dos Pais. No entanto, a presença dele no local não se deu pela procura de presentes, mas pela saída temporária da prisão, concedida na data.
Médica foi sequestrada e morta no crime
Na manhã de 6 de agosto de 2009, Rita, de 39 anos, aproveitava uma folga para fazer compras no shopping ao lado da filha, de apenas 1 ano e 8 meses. Imagens de câmeras de segurança mostram que ela foi seguida por Gilvan pelos corredores e pelo estacionamento do centro de compras.
O criminoso havia deixado a Colônia Penal Lafayete Coutinho, em Castelo Branco, no dia anterior. Condenado por estupro, assalto e atentado violento ao pudor, ele já tinha histórico de ataques semelhantes, inclusive em estacionamentos da própria região do Iguatemi.
As imagens registraram o momento em que Rita chega ao carro no estacionamento, coloca as compras no veículo e acomoda a filha na cadeirinha. Pouco depois, o homem se aproxima, observa o entorno e inicia a abordagem. Em questão de minutos, a médica é rendida e levada junto com a criança no próprio carro.
Criminoso foi descoberto através de câmeras de segurança
Sequestro e morte na BR-324
Após deixar o shopping dirigindo o veículo da vítima, Gilvan seguiu em direção à BR-324. Em uma área de mata, na região de São Sebastião do Passé, a médica foi retirada do carro.
As investigações e os laudos periciais indicaram que Rita foi agredida e sofreu tentativa de violência sexual. Havia sinais de luta corporal, socos e tentativa de estrangulamento.
Em seguida, ela foi atropelada mais de uma vez. As marcas encontradas no corpo — na cabeça e no tórax — mostraram que o veículo passou repetidamente sobre a vítima, em um movimento de ida e volta.
A filha da médica foi deixada viva dentro do carro, que acabou abandonado horas depois na BR-324. O corpo de Rita foi localizado em uma estrada de terra próxima à cidade de Santo Amaro, a cerca de 12 quilômetros de distância do veículo.
Investigação muda rumo
Nos primeiros momentos, a polícia chegou a trabalhar com hipóteses como sequestro ou crime encomendado. No entanto, a análise das imagens do shopping mudou completamente a linha de investigação.
O circuito interno revelou todo o trajeto do suspeito, desde a entrada no centro de compras até a saída com o carro da vítima. A partir daí, investigadores cruzaram as imagens com registros antigos e identificaram semelhanças com crimes ocorridos anos antes envolvendo o mesmo autor.
Gilvan Cléucio de Assis foi preso no dia 11 de agosto, cinco dias após o crime, no momento em que retornava à Colônia Penal Lafayete Coutinho para se reapresentar após a saída temporária. A captura foi possível após denúncias e informações que indicavam que ele havia sido visto com o carro da vítima.
Em depoimento, o criminoso confessou o sequestro e a morte da médica. Ele afirmou que pretendia cometer um roubo, mas entrou em contradição ao negar a tentativa de estupro — hipótese reforçada por evidências periciais.
Gilvan Cleucio foi preso cinco dias após o crime
Frieza após o crime
Um dos pontos que mais chocaram investigadores foi o comportamento do autor após o assassinato. De acordo com o próprio depoimento, após abandonar o carro e a criança, ele retornou a Salvador, voltou ao shopping onde havia cometido o crime, fez compras e jantou com a namorada.
A sequência de ações foi apontada por especialistas como indicativo de frieza extrema e ausência de empatia. Horas depois de participar da reconstituição do crime, ainda em agosto de 2009, Gilvan foi encontrado morto dentro da Delegacia de Homicídios.
Segundo a polícia, ele se enforcou na cela onde estava custodiado. A morte encerrou a possibilidade de julgamento e deixou sem resposta judicial definitiva um dos crimes mais violentos registrados na capital baiana.
Comoção e repercussão
A morte de Rita de Cássia provocou forte comoção entre colegas, pacientes e familiares. Médica dedicada, ela trabalhava havia anos no atendimento à comunidade do Nordeste de Amaralina e também atuava em unidades hospitalares da capital.
No dia seguinte à confirmação da morte, o posto de saúde onde trabalhava chegou a suspender o atendimento por falta de condições emocionais dos funcionários.
Descrita como uma profissional atenciosa e querida, Rita deixou o marido e uma filha pequena — que sobreviveu ao crime. O corpo foi levado para o interior de São Paulo, onde foi sepultado.
Caso marcou Salvador
O episódio ficou conhecido como o caso do “maníaco do shopping” e passou a simbolizar o medo em espaços considerados seguros, como centros comerciais.
Além da brutalidade, o crime levantou questionamentos sobre o sistema de saídas temporárias e o monitoramento de presos com histórico de violência.
Mais de uma década depois, o assassinato da médica ainda é lembrado como um dos casos mais chocantes da história recente de Salvador — pela crueldade, pela frieza do autor e pelas circunstâncias em que tudo aconteceu.
CORREIO

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