A brasileira Célia Maria Cassiano realizou um procedimento que levanta um grande debate e divide opiniões. Por livre escolha, na última quarta-feira (15), ela ingeriu uma substância e, entre três e cinco minutos depois, ela adormeceu e morreu. Não houve dor.
Acometida por uma doença degenerativa e incurável, Célia optou por realizar um suicídio assistido e, para isso, viajou até a Suíça. No país, a prática é permitida. Ela entrou em um quarto, deitou-se em uma cama e bebeu, por conta própria, uma substância prescrita por um médico.
Como funciona
A morte de Célia foi comunicada às autoridades locais. Na Suíça, os casos de suicídio assistido seguem um protocolo bem definido. O acesso exige o cumprimento de uma série de critérios médicos e legais. Os custos também são elevados, de aproximadamente R$ 65 mil (11 mil francos suíços).
A após a morte, a polícia vai até o local para verificar a documentação, confirmar que houve consentimento livre e atestar a legalidade do procedimento. O corpo é então encaminhado para perícia e, posteriormente, cremado.
“Eu decidi lutar pelo meu direito de ter uma morte digna”
Célia era uma mulher que viveu em torno da universidade e das artes. Ela era graduada em Ciências Sociais e mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Seguiu a área acadêmica, entre aulas, orientação de alunos e gestão de cursos de Comunicação.
Em 2025, Célia recebeu o diagnóstico de uma doença neurodegenerativa que afeta o segundo neurônio motor. A condição compromete progressivamente os movimentos e a fala, mas preserva a consciência.
Aos 67 anos, Célia se viu em uma situação em que o corpo começa a falhar enquanto a percepção do que está acontecendo permanece intacta. “Eu não queria ficar totalmente dependente, presa numa cama, ligada a aparelhos”, declarou ela em um vídeo gravado para as redes sociais.
Ao longo dos meses, ela sentiu o peso da perda de autonomia que passou a dominar a sua rotina. “Hoje eu preciso de três pessoas para me levarem no banheiro: uma me levanta, uma tira minha roupa, outra me ajuda a sentar”, relatou. A decisão de interromper a própria vida foi construída ao longo desse processo.
Debate em movimento
Essa escolha não é permitida no Brasil. No entanto, enquanto o governo brasileiro mantém a proibição, outros países da América Latina começam a avançar nessa normatização.
Na última quinta-feira (17), o Uruguai regulamentou uma lei que permite a eutanásia para pacientes com doenças graves, incuráveis e irreversíveis, mediante critérios médicos e psicológicos e manifestação expressa do paciente. O procedimento, contudo, é restrito a cidadãos e residentes no país.
Em outros países da região, como Colômbia, Equador e Peru decisões judiciais também vêm abrindo espaço para práticas relacionadas à morte assistida. Contudo, os modelos ainda seguem distintos e sob diferentes níveis de regulamentação.
F.BOÇÃO NEWS

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