A filha do homem acusado de matar a própria filha, uma bebê de 1 ano e 9 meses, em Abelardo Luz, no interior de Santa Catarina, saiu em defesa do pai nesta sexta-feira (10), dia em que Valmir Rodrigo Pegoraro foi julgado em júri popular no município de Ponte Serrada.
Antes do início da sessão, a jovem afirmou que, apesar da gravidade do crime, o pai não deve ser reduzido apenas ao ato que cometeu. “O que ele fez, ele tem que pagar. Mas ele é um ser humano, tem sentimentos, tem coração. Nós, enquanto família, não estamos aqui pra apoiar o crime, mas pra apoiar a pessoa que ele é”, declarou Marielly Pegoraro à imprensa em frente ao fórum.
Ela também falou sobre a relação que manteve com o pai ao longo da vida e disse que continua vendo nele a figura paterna que a criou. “Eu tenho ele no meu coração como meu pai, que me criou, que me cuidou, que sempre me amou. Isso é só um recorte da vida dele. Ele vai pagar pelo que fez, mas acima de tudo ele é o meu pai”, disse.
Pai matou filha bebê para se vingar da mulher
A jovem ainda afirmou que o acusado não apresentava histórico de comportamento violento dentro da família. “Ele não é um monstro como dizem. As pessoas julgam pelo que veem na internet e isso não é a verdade. Ele sempre me criou com muito amor e carinho, nunca me fez nada de mal”, completou.
O julgamento ocorreu sob segredo de Justiça. Conforme o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Valmir foi condenado a mais de 70 anos de prisão pelo assassinato da filha. A sentença considerou crimes como feminicídio, sequestro e ocultação de cadáver.
Acusado queria se vingar
O crime aconteceu em maio de 2025 e chocou moradores de Abelardo Luz. De acordo com a Polícia Militar, o homem e a esposa, de 25 anos, visitavam familiares no interior do município quando teriam discutido.
Por volta das 17h15, ele pegou a criança, Hosana Esmeralda Silva Pegoraro, e entrou em uma área de mata, permanecendo desaparecido por horas. O contato com o suspeito só foi restabelecido perto das 23h, quando policiais iniciaram negociação para que ele se entregasse.
A rendição ocorreu por volta da 1h da madrugada do dia 26 de maio. Na ocasião, ele confessou ter matado a filha como vingança contra a mãe da menina e indicou o local onde havia deixado o corpo. Durante as buscas, a menina foi encontrada já sem vida em uma área de mata.
Antes de ser localizado pela polícia, um áudio de uma ligação com um familiar registrou a tentativa de impedir o crime. “Não faz isso, pelo amor de Deus”, diz o familiar. O homem responde: “Não tem mais volta, agora já foi. Vou ficar preso ‘uns par de ano’”.
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