O pesadelo de contrair dívidas fora do sistema bancário tradicional transformou-se em um caso grave de polícia e desespero familiar na capital sul-mato-grossense. Um homem de 35 anos precisou procurar as autoridades na madrugada desta sexta-feira após passar a ser alvo de intensas e violentas ameaças de morte por parte de um conhecido. A motivação do crime seria o atraso no pagamento de um empréstimo informal que já se arrastava por um ano, operando sob um esquema ilegal de juros abusivos mensais.
De acordo com os relatos registrados no boletim de ocorrência, a vítima recorreu ao conhecido há cerca de 12 meses para obter uma quantia em dinheiro, aceitando verbalmente uma taxa de juros que deveria ser quitada religiosamente todo mês. O sistema funcionou até o momento em que o trabalhador enfrentou severos problemas pessoais e financeiros, perdendo a capacidade de honrar os dividendos extorsivos exigidos pelo cobrador.
Assim que os repasses foram interrompidos, o tom do conhecido mudou drasticamente. O homem passou a monitorar a rotina da vítima e iniciou uma campanha de terror psicológico por meio de mensagens e ligações de teor criminoso. O autor das ameaças deixou claro que possuía o rastreamento completo dos passos da vítima, afirmando que sabia exatamente onde ficava a sua residência e avisando, em tom de deboche e crueldade, que "um acidente grave poderia acontecer" com o devedor a qualquer momento na rua.
Chantagem Contra os Filhos e Parentes
A agressividade do cobrador ultrapassou os limites do devedor e passou a mirar pessoas completamente inocentes. Demonstrando total frieza, o criminoso começou a estender as promessas de violência para os familiares do homem de 35 anos. Em uma das abordagens mais pesadas, o agiota utilizou frases de forte impacto psicológico para coagir a vítima a arrumar o dinheiro a qualquer custo, disparando perguntas como: "você não tem amor à sua família?".
Sentindo-se completamente encurralado, com medo de deixar a própria residência ou expor seus parentes a um ataque covarde na rua, o homem compareceu à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Campo Grande. Diante dos investigadores, ele apresentou o histórico de mensagens de texto e áudios que comprovam a extorsão e a coação no curso do processo.
Investigação Ativa
O caso foi oficialmente tipificado e registrado pela Polícia Civil como crime de ameaça. O setor de investigação criminal da Depac assumiu o inquérito e passará a cruzar os dados bancários e cadastrais do suspeito apontado pela vítima. O autor deverá ser intimado a prestar depoimento nos próximos dias e, caso as ameaças ou a cobrança de juros abusivos (crime de usura) continuem sendo praticadas, o indivíduo poderá ter sua prisão preventiva solicitada à Justiça.
F. portaldotupiniquim

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