A pacata rotina de Itapetinga, no sudoeste da Bahia, foi profundamente abalada por um crime brutal que evocou sentimentos de forte comoção e revolta na comunidade local. O pedreiro Jobson Oliveira Santos, de 27 anos, morreu após passar dois dias internado com queimaduras graves espalhadas pelo corpo. A principal suspeita do homicídio é sua ex-mulher, uma mulher de 35 anos que já se encontra sob custódia e à disposição da Justiça Criminal. A filha da investigada também entrou na mira da Polícia Civil por suposto envolvimento no caso. O drama começou na noite da última terça-feira, dia 26 de maio, no interior de uma residência localizada no bairro Clodoaldo Costa. Jobson foi socorrido às pressas e deu entrada no Hospital Cristo Redentor com lesões gravíssimas causadas pelo fogo. Inicialmente, o episódio foi registrado pelas autoridades como lesão corporal, mas a linha de investigação mudou drasticamente quando os agentes receberam denúncias apontando a ex-companheira como a autora do ataque. Buscas foram realizadas logo após o crime, mas a mulher não foi encontrada naquela noite.
Diante do quadro clínico crítico, o pedreiro precisou ser transferido por meio de uma UTI aérea para o Hospital Geral do Estado, em Salvador, unidade de saúde onde ele não resistiu aos ferimentos e faleceu na última quinta-feira, dia 28 de maio. Com a confirmação do óbito e o avanço célere das investigações, os delegados responsáveis pelo caso solicitaram a prisão preventiva da suspeita, medida que foi prontamente aceita e expedida pelo Poder Judiciário.
Acompanhada por uma advogada, a mulher compareceu voluntariamente ao Complexo Policial de Itapetinga nesta sexta-feira, dia 29 de maio, momento em que os policiais civis deram cumprimento ao mandado de captura. Na delegacia, a acusada apresentou uma versão defensiva alegando que Jobson teria atentado contra a própria vida ao atear fogo em si mesmo. Contudo, os investigadores classificaram o depoimento como contraditório e recheado de inconsistências que colidem com os laudos e provas colhidas na cena.
A farsa começou a desmoronar quando a perícia apontou indícios de que o ambiente havia sido deliberadamente modificado. Conforme apurado pelo Blog do Marcelo, a mãe e a filha teriam limpado minuciosamente a residência logo após o ataque com o objetivo claro de apagar quaisquer vestígios de combustíveis ou sinais de luta, o que motivou o indiciamento de ambas pelo crime de fraude processual. Enquanto a mãe responde pelo homicídio qualificado e pela manipulação das provas na prisão, a filha foi indiciada apenas pela fraude e responderá ao processo em liberdade.
Jobson tinha medida protetiva
O histórico do casal também revelou uma camada extra de complexidade para o inquérito. A investigada possuía uma medida protetiva de urgência ativa contra a vítima, o que legalmente deveria mantê-los afastados. Apesar da barreira jurídica, os dois mantinham encontros esporádicos e consensuais, uma quebra de restrição que nunca havia sido formalmente comunicada às autoridades judiciais antes da fatídica noite de terça-feira. O espaço jornalístico permanece totalmente aberto para que os advogados de defesa das investigadas se manifestem, visto que nenhum posicionamento oficial foi enviado até o fechamento desta reportagem. O inquérito policial segue em ritmo acelerado na delegacia local e a previsão é de que as investigações sejam concluídas nos próximos dias, sendo o relatório final posteriormente encaminhado ao Ministério Público da Bahia e ao Judiciário para o oferecimento da denúncia formal. Jobson Oliveira Santos era natural de Itapetinga e deixa dois filhos órfãos. Após os procedimentos de praxe na capital baiana, o corpo do trabalhador foi liberado do Instituto Médico Legal de Salvador também nesta sexta-feira. O cortejo fúnebre e o velório estão sendo realizados na Travessa Três, situada no bairro Nova Itapetinga, cercados pelo clamor de familiares e amigos por justiça. O horário e o local do sepultamento ainda aguardam confirmação oficial por parte dos familiares.
Blog do Marcelo

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