Imagens de câmeras de segurança de uma casa noturna em Paranavaí, no interior do Paraná, confirmam que as primas desaparecidas Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes, ambas de 18 anos, foram a uma festa com o suspeito de envolvimento no caso, Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, antes de sumirem. O registro das jovens com o homem aconteceu na madrugada de 21 de abril, mesmo dia do desaparecimento. A defesa do suspeito não foi localizada.
Conhecido pelos apelidos de “Dog Dog” e “Sagaz”, o suspeito teve mandado de prisão temporária expedido pela Justiça e é considerado foragido. A principal linha de investigação da Polícia Civil é de duplo homicídio. O último contato das jovens com as famílias ocorreu no fim da noite de 20 de abril, mas, na madrugada do dia 21, Sttela ainda publicou uma foto em uma rede social na qual o suspeito e ela aparecem — Letycia foi apenas marcada na publicação.
No boletim de ocorrência, as mães relataram que as filhas disseram que iriam para uma festa em Maringá, que fica a cerca de 75 km de Paranavaí. Depois da festa, as garotas tinham a intenção de viajar até Porto Rico, às margens do Rio Paraná. Clayton, que conhecia Letycia, buscou as primas, moradoras de Cianorte e Jussara, cidades vizinhas no interior do Estado. Elas viajaram com o homem em uma caminhonete preta.
A polícia, no entanto, não tinha confirmação do local para onde os três tinham ido naquela madrugada. As imagens do circuito de segurança da casa noturna mostram as primas chegando o com suspeito. Ele parece negociar a entrada com a atendente e os três entram no local. Outro trecho mostra as primas passando de mãos dadas pela festa.
“Após esse momento, não houve mais qualquer contato efetivo das jovens com familiares ou amigos, tampouco novos registros confirmados de localização”, explicou a polícia. Os investigadores tentam descobrir para onde eles foram após a festa. “A investigação segue em caráter prioritário e sigiloso, sendo que novas informações serão divulgadas oportunamente, sem prejuízo das diligências em andamento”, informou.
Suspeito tem condenações
O suspeito de envolvimento no desaparecimento das primas tem uma ficha criminal que inclui condenações por crimes como tráfico de drogas e roubo agravado, além de dezenas de passagens pela polícia desde a adolescência. Ele é foragido tanto pelo desaparecimento das jovens quanto pela condenação por roubo.
Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, é o principal suspeito no caso Foto: Polícia Civil do Paraná/DivulgaçãoClayton teve cerca de 20 passagens pela polícia quando ainda era adolescente. Depois da maioridade, seguiu acumulando registros policiais. “Ele é uma daquelas figurinhas carimbadas da polícia. Sempre envolvido em algum delito”, conta Zoroastro Nery do Prado Filho, delegado de Mandaguari, também no interior do Paraná.
Há 30 anos no cargo na mesma cidade, o delegado conhece o histórico do suspeito, que é nascido e morou por muito tempo no município. Em 2008, Clayton foi preso em uma operação da Polícia Civil contra o tráfico de drogas batizada de Chaves. “Ele, a esposa, um tio e uma tia foram presos nessa operação. Prendemos 28 pessoas no total. Ele chegou a cumprir sete anos na prisão por esse caso”, relembra o delegado.
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O envolvimento dele rendeu uma condenação de 18 anos, oito meses e 15 dias de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo, posse ilegal de arma de fogo e desobediência. Até recentemente, ele cumpria a pena em regime aberto. Porém, pediu mudança de endereço sem justificar o pedido. Uma audiência foi marcada neste ano e ele não compareceu.
Em 2022, Clayton se envolveu em outro episódio que lhe rendeu uma condenação criminal em Apucarana, também no Paraná. Por esse caso, ele também é considerado foragido. O processo está em segredo de justiça.
O Estadão apurou que ele e dois comparsas teriam roubado a casa de um ex-prefeito de Cambira, cidade entre Mandaguari e Apucarana. Ele não apresentou defesa e foi julgado à revelia. Os criminosos, armados, teriam arrombado uma janela da casa com uma marreta e mantido um casal refém, além de fugir levando diversos objetos, como joias e TV, e dois carros da família.
Outros dez registros de ocorrências aos quais a reportagem teve acesso mostram que, em ao menos duas oportunidades, Clayton teve armas apreendidas pela polícia. Em 2017, quando ainda estava preso, ele foi acusado por meio do disque-denúncia de estar portando celular na cadeia, vendendo drogas e planejando uma fuga. Durante as buscas, os policiais chegaram a encontrar celulares e chip na cela, mas nenhum detento assumiu a autoria. No mesmo ano, ele foi pego com um celular na prisão.
F. ESTADÃO


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