A morte de Tarcísio Sodré Ramos do Nascimento, de 47 anos, durante uma guerra de espadas no município de Sapeaçu, reacendeu o debate sobre a regulamentação da tradicional prática junina na cidade. Familiares da vítima defendem a criação de espaços adequados e o uso obrigatório de equipamentos de proteção para evitar novas tragédias.
Tarcísio morreu na noite da última terça-feira (23), véspera de São João, após ser atingido por uma espada durante uma guerra realizada no bairro da Jaqueirão, na Rua Doutor José Alfredo de Melo. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado para uma o Hospital Municipal, mas não resistiu aos ferimentos.
Durante o sepultamento, realizado na manhã desta quinta-feira (25), no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador, a tia da vítima, Edelzuite Ramos da Cruz, lamentou a perda do sobrinho e destacou que ele era um espadeiro experiente.
"Ele tinha um coração grandioso, era muito dedicado à família, acolhedor, sempre disposto a ajudar quem precisava", afirmou.
Edelzuite defendeu a regulamentação da guerra de espadas em Sapeaçu, ressaltando que a tradição vem crescendo e necessita de medidas que garantam maior segurança aos participantes.
"Precisamos criar um movimento para regulamentar essa tradição em nossa cidade. Vemos crianças participando sem qualquer preparo ou equipamento de proteção, o que aumenta significativamente os riscos de acidentes graves", disse.
Entre as propostas defendidas pela familiar estão a criação de espaços específicos para a prática, cercados por estruturas de proteção, além da obrigatoriedade do uso de equipamentos como capacetes, luvas, botas e blusões apropriados.
A Polícia Civil informou, por meio de nota, que o porte, armazenamento, transporte e uso de espadas continuam proibidos na Bahia. Segundo a corporação, as condutas relacionadas aos artefatos podem ser enquadradas no artigo 16 do Estatuto do Desarmamento (Lei Federal nº 10.826/2003), cuja pena varia de três a seis anos de reclusão.
A Delegacia Territorial de Sapeaçu investiga as circunstâncias do acidente. Laudos periciais do Departamento de Polícia Técnica (DPT) deverão auxiliar nas investigações.
Apesar das restrições legais, familiares e defensores da tradição afirmam que o diálogo entre autoridades, Ministério Público e comunidade pode contribuir para a construção de um modelo regulamentado, capaz de preservar a cultura popular com mais segurança para os participantes.
Fonte: G1 Bahia / Record Bahia

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