A Polícia Civil concluiu o segundo inquérito que apura a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo, e indiciou a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, 43, pelos crimes de homicídio e fraude processual. As informações foram divulgadas pelo g1 nesta quinta-feira (2).
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Além do indiciamento, a polícia pediu à Justiça a conversão da prisão temporária de Evelyne, decretada em 20 de junho, em prisão preventiva. Segundo o relatório do inquérito, a investigada fazia parte do núcleo responsável pela organização do evento e participou da definição da logística, da administração dos participantes, da divulgação da atividade e da manutenção da estrutura operacional necessária para a realização dos saltos.
"Os elementos colhidos demonstram que Evelyne integrava o núcleo organizacional responsável pela realização da atividade, participando da definição de aspectos logísticos do evento, administração dos participantes, divulgação da atividade e manutenção da estrutura operacional necessária para sua execução", informou a Polícia Civil. Ainda de acordo com os investigadores, a organizadora tinha o dever jurídico de impedir o resultado e assumiu o risco ao manter a atividade em condições consideradas precárias.
Investigação sobre câmera continua
A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para localizar a câmera utilizada por Maria Eduarda durante o salto. O equipamento é considerado peça fundamental para esclarecer a dinâmica do acidente e, até o momento, não foi encontrado. Em nota, a defesa de Evelyne afirmou que recebeu a conclusão do inquérito com respeito, mas discorda do indiciamento. "As teses defensivas serão apresentadas no momento oportuno, confiando que, ao final, os fatos serão devidamente esclarecidos, observando o devido processo legal e a presunção de inocência", declarou o advogado Maurício Marchiori.
Prisões podem ser revogadas
Segundo o g1, a Polícia Civil também pediu a revogação das prisões de João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, presos temporariamente desde 20 de junho. O pedido ainda aguarda decisão da Justiça. Como resultado do primeiro inquérito, concluído em 22 de junho, três instrutores que participaram diretamente do salto foram indiciados por homicídio com dolo eventual e seguem presos preventivamente.
A defesa de João Antonio Pivetta afirmou que ele não foi indiciado neste segundo inquérito por falta de provas de autoria e materialidade. "O João não teve qualquer envolvimento com o desaparecimento da câmera, o que foi confirmado pelo relatório da polícia. A defesa lamenta o julgamento antecipado que o João sofreu e o tempo que permaneceu em cárcere de forma ilegal, especialmente porque nunca houve qualquer indício de que ele teria desaparecido com a câmera", afirmou.
Em outra nota enviada à EPTV, afiliada da TV Globo, a defesa acrescentou que a prisão "sempre se mostrou ilegal e desnecessária". Já a defesa de Gabriel Barros Martins afirmou que o inquérito policial também serve para inocentar investigados. "Não se trata apenas de investigar para incriminar, mas também para inocentar. Não é contra o cidadão, é para o cidadão. Agradecemos à dra. Andrea (delegada) pela agilidade nas apurações e pela disponibilidade quanto à cooperação aos necessários esclarecimentos dos fatos", declarou.
Relembre o caso
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu em 13 de junho após ser lançada da Ponte do Esqueleto, de cerca de 40 metros de altura, sem estar presa às cordas de segurança durante a prática de rope jump. Segundo o g1, imagens inéditas obtidas pela EPTV mostram que, poucos segundos após o salto, pessoas que acompanhavam a atividade perceberam que algo estava errado e começaram a gritar sobre a ausência da corda de segurança.
O primeiro inquérito concluiu que três instrutores foram presos em flagrante no dia da tragédia e posteriormente tiveram as prisões convertidas em preventivas. Eles são investigados por homicídio com dolo eventual e por suspeita de fraude processual, após o desaparecimento da câmera que registrava o salto da vítima.
CORREIO

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