Um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos nesta segunda-feira (5), durante um protesto estudantil em Lens, no norte da França. Segundo uma fonte sindical policial, o jovem aparentemente pegou uma granada de efeito moral disparada pela tropa de choque, e o artefato explodiu em sua mão.
O episódio aconteceu em meio a uma onda de manifestações por melhores condições nas escolas. Estudantes denunciam falta de professores, horários sobrecarregados, salas mal conservadas e prédios sem estrutura adequada para enfrentar temperaturas elevadas.
Segundo o Ministério da Educação, mais de 400 das 3.700 escolas de ensino médio do país estavam parcial ou totalmente fechadas na manhã desta segunda-feira. Uma nova mobilização, chamada de “Ato III” por um sindicato estudantil, está prevista para terça-feira (6).
Confrontos e milhares de detenções
O movimento começou em 17 de setembro, em uma escola de Créteil, no subúrbio de Paris, em apoio a professores que faziam greve por falta de pessoal e recursos. Desde então, os protestos se espalharam pelo país.
Parte das manifestações foi marcada por confrontos com policiais, incêndios e destruição de patrimônio público. Segundo o ministro da Educação, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas desde o início da mobilização.
Mais de 5 mil pessoas foram detidas, sendo 85% menores de idade. Também foram abertas investigações internas sobre pelo menos três casos de suposta brutalidade policial.
Nesta segunda-feira, a Liga Francesa de Direitos Humanos (LDH) acusou as forças de segurança de usar métodos desproporcionais contra manifestantes, muitos deles adolescentes. A presidente da entidade, Nathalie Tehio, criticou a falta de orientações para uma atuação moderada diante de menores de idade.
Governo quer cobrar reparação por danos
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu às autoridades locais que priorizem o preenchimento de vagas de professores e a substituição de profissionais afastados por períodos prolongados. Ele também convocou uma reunião para terça-feira com presidentes regionais para discutir a reforma das instalações escolares.
O governo francês promove ainda uma proposta para cobrar dos responsáveis por danos ao patrimônio público os custos dos reparos. Segundo Lecornu, o projeto poderá permitir a recuperação de valores por meio de auxílios familiares e benefícios habitacionais, preservando um patamar mínimo de renda.
A iniciativa recebeu críticas da líder da central sindical CGT, Sophie Binet, que classificou o anúncio como populista e afirmou que a medida atingiria as famílias mais vulneráveis.
Universitários aderem à mobilização
Os protestos também chegaram às universidades. Segundo um sindicato estudantil, alunos bloquearam o acesso a cerca de 30 campi na quinta-feira, incluindo instituições em Paris e Marselha.
Em Nantes, bombeiros foram acionados para apagar um incêndio na entrada de uma escola de ensino médio. Autoridades regionais atribuíram parte dos atos de vandalismo a indivíduos que se juntaram às manifestações estudantis.
A mobilização ocorre antes das eleições presidenciais de 2027, que definirão o sucessor de Emmanuel Macron. Enquanto tenta responder às reivindicações, o governo acusa ativistas de extrema-esquerda de se apropriarem do movimento.
F.IB

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