domingo, outubro 11, 2026

Ministério Público da Bahia denuncia cinco policiais militares por homicídio e fraude processual


O Ministério Público do Estado da Bahia denunciou cinco policiais militares por suspeita de envolvimento no homicídio de Uanderson Novaes Ventura, ocorrido em 12 de abril de 2019, em Brumado, no sudoeste da Bahia. Os agentes são acusados de homicídio qualificado, cárcere privado e fraude processual.

As denúncias foram apresentadas na quinta-feira (08.10), pela 4ª Promotoria de Justiça de Brumado, em atuação conjunta com o Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública. O caso foi encaminhado à Vara do Tribunal do Júri de Brumado e à Vara de Auditoria Militar da Bahia.

Os policiais denunciados são Milton Ferraz de Andrade Júnior, Wendel Leão Ribeiro, Wandenberg Santos Marques, Cristiano dos Santos Moreira e Elton Silva Queiroz.

Segundo com a denúncia do MPBA, os policiais teriam planejado uma emboscada para atrair Uanderson ao Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC), em Brumado. Para isso, teriam utilizado um perfil falso no Facebook, com o nome de “Viviane Santos”, para marcar um suposto encontro amoroso com a vítima.

De acordo com a acusação, Uanderson chegou desarmado ao local. Após receber uma ordem para se render e erguer as mãos sobre a cabeça, ele teria sido atingido por disparos efetuados por dois dos policiais denunciados.

O laudo de necropsia apontou que a vítima foi atingida por 11 projéteis de arma de fogo.

Ainda segundo as investigações, dois jovens que estavam nas proximidades do local foram obrigados a permanecer na guarita da escola durante a ação, sob vigilância armada.

Eles só teriam sido liberados após os disparos e a retirada do corpo. A denúncia também aponta que os jovens foram ameaçados para não revelar o que presenciaram.

O Ministério Público sustenta que os relatos das testemunhas e os elementos periciais reunidos durante a investigação reforçam a hipótese de emboscada.

A acusação também afirma que, após a morte de Uanderson, os policiais teriam alterado artificialmente a cena do crime para simular um confronto armado e apresentar o caso como resultado de uma intervenção policial.

Conforme o MPBA, os elementos reunidos na investigação sustentam a suspeita de fraude processual, com a finalidade de encobrir as circunstâncias da morte.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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