Mensagens de cunho sexual e ameaças com imagens de armas passaram a fazer parte da rotina de integrantes de um grupo de WhatsApp voltado a motoristas de aplicativo, na última quarta-feira (14). Os participantes do grupo “Motoristas Unidos" denunciaram o caso à 38ª Delegacia de Polícia, em Vicente Pires, no Distrito Federal, após um homem começar a procurar individualmente antigos colegas, cinco dias depois de ser removido da comunidade.
Segundo os relatos cedidos ao portal Metrópoles, o suspeito passou a enviar mensagens privadas aos integrantes, que compartilharam as conversas entre si e descobriram que outras pessoas também estavam sendo importunadas. Uma das vítimas é uma motorista de aplicativo de 41 anos.
A mulher relatou ter recebido mensagens em que era chamada de “safada”, acompanhadas de emojis de fogo. Sem que houvesse qualquer reciprocidade, o homem também encaminhou fotografias nuas e figurinhas de conteúdo sexual.
Eu me senti assediada, invadida e constrangida, como se eu fosse um lixo. Como uma pessoa que nem me conhece manda esse tipo de mensagem?!”, desabafou a motorista, que pediu para não ter a identidade divulgada.
Além das abordagens de cunho sexual, os integrantes afirmam que o suspeito recorria a imagens de armas quando alguém mencionava a possibilidade de denunciar o caso à polícia. Um dos participantes relatou ter recebido a fotografia de uma pistola acompanhada da mensagem: “Vagabundo, você também vai tomar”.
Expulsão ocorreu após discussão sobre conta falsa
De acordo com Marcel Eiras, de 51 anos, motorista de aplicativo e um dos administradores do grupo, o conflito começou depois que o suspeito perguntou se alguém sabia criar uma conta falsa na plataforma de transporte para continuar trabalhando. O homem teria sido bloqueado por dirigir sem cinto de segurança.
Ele perguntou quem sabia fazer conta fake no aplicativo para ele rodar, já que ele tinha sido bloqueado por andar sem cinto de segurança. Explicamos que isso não era correto, e ele não gostou. Tivemos que deletá-lo do grupo”, relatou o administrador.
Após a exclusão, o homem teria passado a procurar os antigos colegas diretamente, dando início à sequência de mensagens denunciadas pelos participantes.
Grupo tem critérios para aceitar novos integrantes
O Motoristas Unidos foi criado para compartilhar informações relacionadas ao trabalho com aplicativos de transporte. Segundo Marcel Eiras, a comunidade adota um processo de seleção para verificar se os interessados realmente atuam como motoristas.
Os candidatos acessam um link divulgado pelos administradores e entram em uma lista de espera até que surjam vagas. Nesse momento, os três responsáveis pelo grupo analisam os perfis e solicitam informações que comprovem a atividade profissional, como capturas de tela da conta utilizada na plataforma e a avaliação atribuída pelos passageiros.
O caso foi levado à Polícia Civil, e os relatos dos integrantes apontam para possíveis episódios de assédio e intimidação.
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