Uma mulher de 49 anos, identificada como Luciene, foi baleada durante uma ação policial na tarde de segunda-feira (12/10), no bairro de Bom Juá, em Salvador. Ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado (HGE).
Na mesma ocorrência, um jovem conhecido como Léo Cabeção, apontado como integrante da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM), foi atingido por disparos e morreu após ser socorrido.
Familiares de Luciene contestam a versão da Polícia Militar. Segundo relatos, os policiais chegaram à localidade atirando, sem que houvesse troca de tiros. No momento da ocorrência, a mulher estava sentada em um batente, na porta de casa.
O marido de Luciene afirmou que os policiais não prestaram socorro após ela ser atingida. A mulher foi socorrida por moradores e encaminhada para uma unidade de saúde.
“Até quando mãe, pai de família vão sofrer e vão chorar pelo desrespeito da polícia?”, questionou o marido.
Outra moradora também criticou a atuação policial e chamou atenção para a presença de crianças na rua durante a ocorrência. “Aonde tem ladrão, tem pai e mãe de família”, afirmou. Ela contou ainda que o filho encontrou uma cápsula de munição e questionou se precisaria se esconder ao encontrar policiais por medo de ser atingido.
Polícia afirma que houve troca de tiros
Em nota, a Polícia Militar da Bahia informou que equipes da Rondesp BTS reforçavam o policiamento em Bom Juá após receberem informações sobre um ataque armado na região.
Segundo a corporação, durante patrulhamento na 1ª Travessa Henrique Marquês, os policiais avistaram um grupo de homens armados. Ao perceberem a presença das equipes, os suspeitos teriam atirado contra os militares, que reagiram. Em seguida, os homens fugiram.
Ainda conforme a PM, durante os procedimentos de registro da ocorrência, os policiais foram informados de que uma mulher havia sido baleada na mesma localidade e socorrida por moradores.
A corporação informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar a dinâmica dos fatos e eventuais responsabilidades. O material apreendido foi encaminhado à Polícia Civil, responsável pela investigação criminal.
Pai nega envolvimento de jovem com o crime
O pai de Léo Cabeção negou que o filho tivesse envolvimento com a criminalidade, embora tenha afirmado que o jovem era usuário de drogas.
Segundo o familiar, o rapaz havia saído pela manhã para jogar futebol com vizinhos. Ao retornar, um amigo o teria chamado para usar drogas. Ainda conforme o relato, os dois foram surpreendidos pelos policiais, que chegaram atirando.
A versão apresentada pelo pai diverge da narrativa da Polícia Militar, que afirma ter ocorrido uma troca de tiros com homens armados.
De acordo com a PM, um dos suspeitos foi encontrado ferido durante as buscas e levado para uma unidade hospitalar, mas não resistiu. Na ocorrência, foram apreendidos uma pistola Taurus calibre .40, 123 porções de maconha e 37 pinos de cocaína.
A Polícia Civil informou que os militares apresentaram na unidade policial uma arma de fogo, munições e porções de maconha e cocaína. O caso foi registrado pela Delegacia de Homicídios Múltiplos, e os procedimentos periciais e de remoção do corpo foram solicitados.
F.IB

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