O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no Ueno Bank após identificar problemas financeiros e constatar que a instituição não possuía capital suficiente para cumprir as exigências legais. Com a medida, as atividades do banco foram suspensas enquanto as autoridades avaliam sua situação e organizam os procedimentos para a devolução dos recursos aos clientes.
A crise atingiu uma parcela expressiva da população. Cerca de 2,9 milhões de pessoas possuem contas na instituição, o equivalente a quase metade dos aproximadamente 6,4 milhões de habitantes do Paraguai.
Após o anúncio da intervenção, clientes formaram filas em frente às agências na tentativa de recuperar o dinheiro depositado. A situação também provocou manifestações em Assunção, capital do país, com correntistas relatando dificuldades financeiras após o bloqueio das contas.
Durante um protesto, Marcelino Vergara, de 68 anos, relatou à agência AFP ter perdido as economias que acumulou ao longo da vida. Segundo ele, restavam apenas 8 mil guaranis, aproximadamente R$ 7,35, disponíveis para suas despesas.
Presidente do Banco Central renuncia após pressão do governo
A crise também provocou mudanças na direção da autoridade monetária paraguaia. Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central após receber um pedido de renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña.
Antes de assumir o comando da instituição, em 2023, Carvallo havia dirigido a financeira Ueno. Sua passagem anterior pela empresa passou a ser questionada diante dos problemas envolvendo o banco e da fiscalização realizada pela autoridade monetária.
O episódio ampliou a pressão sobre o governo paraguaio e levantou questionamentos sobre a supervisão do sistema financeiro e a relação entre autoridades públicas e instituições bancárias do país.
F. Blog do Valente
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