segunda-feira, janeiro 22, 2024

Sequência de mortes: Pataxós, mais uma vez, são alvos de fazendeiros

Indígenas do povo Pataxó vêm sendo alvo de ataques graves na Bahia, e a falta de proteção se tornou evidente com mais um homicídio registrado.
Nesta segunda-feira (22), uma indígena do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, identificada como Maria de Fátima Muniz, foi assassinada na Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu, localizada no sul da Bahia.
De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas, a mulher, conhecida como 'Nega Pataxó', teria sido assassinada durante um ataque promovido por fazendeiros do grupo chamado 'Invasão Zero'.

Na mesma ação, outras pessoas foram baleadas, incluindo o irmão da vítima, Nailton Muniz, que precisou passar por cirurgia. Além disso, uma mulher teve o braço quebrado, duas pessoas foram espancadas e outras foram hospitalizadas. Um fazendeiro também foi ferido com uma flechada no braço durante o ataque, mas seu estado de saúde é estável.

O assassinato da indígena acontece praticamente 1 mês após o cacique Lucas Kariri-Sapuyá, também do povo pataxó Hã-Hã-Hãe, ser morto a tiros, no dia 21 de dezembro de 2023. O crime aconteceu na entrada da Aldeia do Rio Pardo, no município de Pau Brasil, no sul da Bahia.
O homem de 31 anos, que era dirigente estadual da Rede Sustentabilidade e agente de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do estado, foi cercado em uma emboscada por dois homens encapuzados. Ele estava voltando para a sua comunidade a bordo de uma motocicleta, com o filho na garupa. Ele deixou três filhos e a companheira.

Cerca de 1 ano antes da morte de Nega Pataxó, no dia 17 de janeiro de 2022, dois indígenas, também Pataxós, foram assassinados em Barra Velha, terra indígena localizada em Itabela. Os jovens foram identificados como Samuel Cristiano do Amor Divino, de 25 anos, e Nawir Brito de Jesus, de 17 anos.

Ataques de fazendeiros

Já se sabe que os ataques aos indígenas Pataxós têm direta ligação com fazendeiros. No caso de Nega Pataxó, por exemplo, a morte teria acontecido após cerca de 200 fazendeiros e comerciantes serem mobilizados a recuperar, sem qualquer decisão judicial, a posse da Fazenda Inhuma, na cidade de Potiguará, área que é reivindicada pelos Pataxó Hã-Hã-Hãe e que foi ocupada pelos indígenas no último sábado (20).

Em relação a Lucas, o crime, ocorrido cerca de 1 mês atrás, aconteceu na Reserva Indígena Caramuru-Paraguassu, que tem forte histórico de invasões e conflitos envolvendo fazendeiros. 

A estrada em que o cacique morreu ficou conhecida, inclusive, por ter sido a morada do líder pataxó João Cravim, que foi executado em 16 de dezembro de 1988, fazendo o mesmo trajeto que Lucas.
O caso do crime contra Samuel e Nawir aconteceu na terra indígena Barra Velha, que também já é conhecida pelos intensos conflitos com fazendeiros.

Medidas após mortes

Nos três casos, ações imediatas foram tomadas, mas crimes envolvendo fazendeiros contra Pataxós continuam acontecendo.  

Nesta segunda (22), uma comitiva liderada pela ministra Sonia Guajajara foi à região onde o crime contra Nega Pataxó aconteceu. O Ministério dos Povos Indígenas acompanha o caso e vem fazendo interlocuções com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, incluindo diretamente a Polícia Federal, com os Ministérios dos Direitos Humanos e Cidadania, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e com a Secretaria de Segurança da Bahia. Dois fazendeiros foram detidos suspeitos de matar a indígena.

No caso de Lucas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, assim como o Ministério dos Povos Indígenas, declarou que as investigações seriam acompanhadas de perto. A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), na época, também informou que tomaria providências para apurar o caso. Não houve, contudo, qualquer atualização divulgada sobre o ocorrido.

Em relação ao caso dos dois pataxós mortos, o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues determinou prioridade nas investigações do caso, enquanto a SSP-BA informou que varreduras foram feitas em busca dos criminosos. Um homem chegou a ser preso.
O BNews entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) para saber se investigações mais aprofundadas sobre esses crimes estão sendo realizadas. Até esta publicação não obtivemos resposta, mas o espaço segue aberto e a matéria será atualizada após recebermos um posicionamento.
Bnews 

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