A investigação sobre a morte de Benício Xavier, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, avançou com duas decisões judiciais diferentes envolvendo as profissionais citadas no caso. Enquanto a médica Juliana Brasil Santos segue em liberdade por um habeas corpus já concedido, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) negou pedido semelhante feito pela técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia. A informação é do portal Amazonas Atual.
A decisão foi tomada pelo desembargador Abraham Peixoto Campos Filho, plantonista do TJAM nesta segunda-feira (8). A defesa de Raiza tentava evitar uma eventual prisão preventiva e barrar buscas e apreensões, além de pedir que os efeitos do salvo-conduto dado à médica fossem estendidos a ela, o que foi rejeitado.
Segundo Campos Filho, as atribuições das duas são distintas. A médica apenas prescreveu a medicação. Já Raiza aplicou 9 mg de adrenalina por via intravenosa, dose considerada incompatível com diretrizes pediátricas, sem realizar as checagens obrigatórias, mesmo após a mãe da criança questionar o procedimento. Para o magistrado, essa administração aparece como “causa imediata ou relevante” para o desfecho fatal, o que impede a concessão da mesma proteção jurídica.
Ele também negou impedir buscas futuras, afirmando que isso poderia comprometer a coleta de provas em um caso de grande repercussão. Com isso, o habeas corpus da técnica segue agora para análise de mérito em uma das Câmaras Criminais do tribunal.
Vídeo apresentado pela médica é contestado
No caso da médica Juliana Brasil Santos, a Justiça já havia recusado pedido de prisão preventiva por entender que ela vem colaborando com as investigações. A defesa apresentou ainda um vídeo que apontaria um suposto erro no sistema eletrônico do hospital, que teria alterado automaticamente a via de administração da medicação.
O delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito, disse à CNN que a alegação não se confirma. Segundo ele, visitas ao hospital e a análise preliminar do software indicam que o vídeo não condiz com o funcionamento real do sistema.
“Essa alegação da doutora Juliana não se sustenta”, afirmou. Ele reforçou que uma perícia técnica será feita para esclarecer o caso. Se houver manipulação, a Justiça pode ter sido induzida ao erro pela defesa.
A morte de Benício, após receber uma dose de adrenalina diretamente na veia, repercutiu nacionalmente e reacendeu discussões sobre protocolos de segurança, responsabilidades e possíveis falhas sistêmicas em ambientes hospitalares.
F.IB

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