quinta-feira, 21 de setembro de 2017

VIZINHOS DO MAL: Autores de latrocínio, bandidos do Calabetão aterrorizam o Jardim Santo Inácio


     

Danilo Campos, 35 anos, professor de rapel. Você pode até não ter conhecido ele, mas se trata de mais uma vítima da quadrilha que desafia o poder público cometendo diversos assaltos no bairro de Jardim Santo Inácio, em Salvador. O grupo criminoso é oriundo do Calabetão. Os bandidos aproveitam a localização de vizinhança e resolvem, mesmo a pé, roubar os moradores de Santo Inácio logo nas primeiras horas da manhã.
O crime contra Danilo aconteceu por volta das 6h de quarta-feira (20/9). “Foi um fato isolado contra uma pessoa de bem. Relatos de moradores dizem que a vítima ouviu gritos na Rua [Alameda 69] e resolveu olhar. Próximo à casa dele, tava acontecendo um assalto e o criminoso, na saída, sacou [o revólver] e atirou”, conta o comandante da 48ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Sussuarana), major César Souza Ferreira.
As investigações já começaram a ser feitas pela Polícia Civil, por meio da 11ª Delegacia Territorial (DT/Tancredo Neves). Inicialmente, o caso é tratado como latrocínio – roubo com morte -, mas caso seja provado que houve homicídio, tudo será levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Testemunhas sustentam que Danilo foi vítima de bala perdida, o que configuraria realmente a segunda hipótese.
A morte tem relação direta com o tráfico de drogas e seus líderes. A PM prefere não falar sobre as facções criminosas e suas atuações, mas em pelo menos uma das paredes da principal Praça do Jardim Santo Inácio (foto acima), a equipe de reportagem do Aratu Online encontrou, em forma de pichação, a sigla C.P [Comando da Paz].
A facção surgiu dentro da Penitenciária Lemos Brito, curiosamente localizada na Mata Escura, há cerca de 10 anos. O líder do grupo no Santo Inácio é Luiz Cláudio Almeida dos Santos, o “Tico Chicleteiro”, que parece ter perdido o interesse de atuar na área. Isso facilitou a chegada dos assaltantes, moradores do bairro vizinho.
Outro ponto que deve ser levado em consideração para explicar essa dura rotina é a localização geográfica. “O Santo Inácio tem vários acessos. Aqui temos acesso à Mata Escura, temos também para o Calabetão. E todas essas vias se ligam a outras importantes, como BR-324, a [Avenida] Gal Costa e Paralela”, frisa ainda o comandante.
POLICIAMENTO
Tanto o Calabetão quanto o Santo Inácio são áreas de responsabilidade da 48ª CIPM, que resguarda ainda outros cinco bairros. O comandante da unidade reconhece o desafio, mas promete reforço no policiamento. “Vamos intensificar, principalmente às 5h, que as pessoas têm reclamado. É nesse horário que o estudante sai, que o trabalhador sai e que o criminoso vê a oportunidade de agir”, destaca o major.
Para o oficial, a dificuldade é manter viaturas em todas as áreas. “Em um ou outro [bairro] vão acontecer pequenas ocorrências. Sempre acompanhamos onde está a maior mancha [criminal]. O número de homicídio aqui [em Santo Inácio] caiu. O número de CVP [Crime contra o Patrimônio] ainda tá subjetivo porque as pessoas não registram queixa”, destaca. Ele reforça, com isso, a importância de a vítima comparecer à delegacia após ser assaltado.
O comandante, por iniciativa própria, criou um grupo no WhatsApp com lideranças do bairro para debater as questões da segurança. “Estamos buscando a todo tempo essa conversa para aproximação com a comunidade, porque existem ocorrências pontuais que tem condições de atuarmos bem cirurgicamente”, finaliza.
Foto: Jean Mendes/Aratu Online

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