sábado, 7 de outubro de 2017

Corpos de vítimas da creche em Janaúba são sepultados em clima de comoção



Depois do choque, o peso da realidade. O dia seguinte à tragédia que matou sete crianças e dois adultos de forma brutal em Janaúba, no Norte de Minas, foi marcado pelo choro e pela sensação de impotência diante de uma fatalidade sem precedentes na história do município. Dos nove mortos no atentado à creche Gente Inocente, sete já foram enterrados.
Caixões brancos, com pouco mais de um metro de comprimento, chegavam em cortejo ao cemitério Campo da Paz. Mães aos prantos gritavam na tentativa vã de voltar no tempo e impedir que os filhos fossem levados embora de forma tão dolorosa e cruel. 
Ana Clara, Yasmin, Cecília, Juan, Luiz, Renan e Ruan tinham a mesma idade. Quatro anos de vida e uma trajetória inteira pela frente. A morte prematura deixou sem norte famílias que ainda não conseguiram assimilar o que aconteceu.
Na casinha em que morava o pequeno Juan Pablo, o silêncio absoluto que tomava conta do velório só era interrompido pelos gritos da mãe do garoto. Grávida, ela implorava a plenos pulmões para que não levassem o filho embora. 
                 
O pai, Paulo Pereira, permanecia a maior parte do tempo sentado na cama que dividia com o menino. Nas mãos, o homem segurava o violãozinho de plástico azul que havia dado ao garoto como presente de aniversário, um dia antes da tragédia. O instrumento foi levado para o cemitério e colocado sobre o caixão, para ser enterrado junto com o filho. Inconformado, Paulo permanecia mudo, como se tentasse usar o silêncio para anestesiar a dor daquele momento. “Como é que vamos viver sem ele?”, indagou uma única vez.
Heroína
No fim da tarde, o cemitério se encheu de pessoas que foram prestar as últimas homenagens às vítimas do vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos. O sepultamento da professora Heley Abreu Batista reuniu um público numeroso, admirado com a coragem da mulher que, mesmo com 90% do corpo queimado, ajudou a retirar várias crianças da creche em chamas.
O caixão com o corpo da docente foi colocado em cima de um caminhão do Corpo de Bombeiros e um cortejo percorreu ruas da cidade. Diante da sepultura de Heley, a mãe e o marido choraram muito e, ao mesmo tempo, agradeceram a ela pelo gesto nobre em prol da vida dos alunos.
                 
Vilão
Já o corpo de Damião foi enterrado sem a presença de praticamente ninguém. Nenhum conhecido ou familiar compareceu ao local para acompanhar o sepultamento. A suspeita é a de que parentes do vigia tenham tido medo de possíveis retaliações ou ofensas. O corpo foi colocado na mesma sepultura onde está enterrado o pai de Damião, morto há três anos.
O serviço funerário local tentou realizar o procedimento da maneira mais discreta possível, já que, segundo moradores da cidade revoltados com o episódio, ameaçaram retirar o corpo dele caso fosse sepultado no cemitério local.
Por Redação Mídia Reconcavo

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