domingo, 1 de outubro de 2017

Família de recepcionista morta vê ligação com crime em Itapuã



Família de recepcionista morta vê ligação com crime em Itapuã.
Marília Sampaio de Andrade, 32 anos, foi encontrada morta na Estrada do CIA-Aeroporto
"Antes dela sair eu falei: 'Deus lhe acompanhe', mas ela nunca mais voltou", essa foi a última frase que a irmã da recepcionista Marília Matércia Sampaio de Andrade, 32 anos, disse à vítima antes dela ser encontrada morta com marcas de violência sexuais na Estrada do CIA-Aeroporto, na manhã deste sábado (30). Marília era solteira e mãe de um garoto de três anos. 
De acordo com a irmã, a cabeleireira Andreia Sampaio, 57 anos, Marília saiu de casa, na Rua Eduardo Magalhães, em Itapuã, às 7h, até um ponto de ônibus que fica a 10 minutos da casa onde as duas moravam juntas há cinco anos. Dali, a recepcionista deveria pegar um ônibus até o trabalho, em um edifício comercial na Avenida Antônio Carlos Magalhães. Mas não chegou. Os familiares foram informados por volta das 9h que o corpo dela havia sido encontrado na rodovia. "Antes de sair, ela me pediu quatro reais emprestado e disse que me pagaria logo que voltasse. Mas não voltou mais", lamenta.
Recepcionista foi encontrada morte no mesmo lugar onde outra mulher foi morta em julho deste ano (Foto: Acervo Pessoal)
O corpo da recepcionista foi sepultado na manhã deste domingo (1°) no Cemitério Quinta dos Lazáros, na Baixa de Quintas. Cerca de 50 pessoas, entre familiares, amigos e colegas de trabalho, estiveram no local para dar o último adeus à vítima. No trabalho, Marília era conhecida pelos colegas como uma moça tranquila e de pouca conversa. Ela trabalhava havia cerca de seis meses como funcionária terceirizada pela empresa MAP.
No dia do crime, os colegas sentiram a ausência da recepcionista, que não costumava chegar atrasada. "Ela era muito responsável, se atrasse 10 minutos ligava para avisar na central ou para alguma colega que havia acontecido alguma coisa. Ela sempre foi muito pontual, chegava com antecedência", conta Joanice de Jesus, 42 anos, supervisora da vítima. 
Como não tinham contato com os familiares de Marília, as colegas de trabalho não conseguiram avisar sobre a ausência dela. Os colegas só tiveram a confirmação da morte depois de reconhecê-la por uma foto a farda da empresa e uma tatuagem que a recepcionista tinha na panturrilha. "Percebemos pela ausência dela e a tatuagem. Não tinha como não identificar", diz a também recepcionista Jucineide Marques, 43.
De acordo com familiares da vítima, Marília teria sido forçada a entrar no carro, modelo Toyota Hilux, que o suspeito do crime estava dirigindo. "Ela não era de pegar carona com ninguém estranho. Era uma moça caseira e muito família", conta o irmão da vítima, o empresário Dino Andrade, 47 anos.
Para a polícia, os familiares disseram que a vítima teria conhecido uma pessoa, mas ela não chegou a apresentá-la para família. "Eu sempre fui muito de brincar com ela. Sempre fui brincalhão, mas ela não era de se abrir comigo. Ela teria comentado que estava conhecendo alguém, mas não sabemos", afirma o irmão da vítima. "Ela era uma menina muito tranquila e não era muito de conversar", contou a irmã.
Ainda de acordo com o irmão, câmeras de segurança de uma rua próximo ao local onde a jovem foi encontrada teria registrado a recepcionista no banco da frente de um carro do mesmo modelo do que foi encontrado com o suposto criminoso. Os familiares acreditam que Marília já estava morta quando as câmeras registraram as imagens.  A assessoria da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) não confirmou a informação.
Casos em série
O lugar onde o corpo de Marilia foi deixado é perto de onde outra mulher foi encontrada morta com os mesmos sinais de violência. Nadjane e Marilia moravam a 15 minutos de distância, uma da outra. Familiares da recepcionista acreditam que suspeito pode ter cometido os dois crimes.
No dia 9 de julho a comerciante Nadjane Santos de Jesus, 30 anos, foi vista pela última vez na Rua Souto Soares, em Itapuã, levando o cachorro de estimação Mayck para passear. Horas depois, por volta das 9h30, ela foi encontrada morta, nua, com marcas de espancamento e violência sexual, na Estrada CIA/Aeroporto. Nadjane morava com o marido, o encarregado de produção Eviton Gomes, 36, havia cerca de 5 anos na mesma rua onde desapareceu.
Os familiares de Nadjane disseram na época ao CORREIO que também acreditavam que a comerciante foi forçada a entrar em um veículo antes de desaparecer. Ela foi vista por moradores do bairro retornando para casa na companhia do cachorro e com um saco plástico na mão. "Minha esposa foi forçada a entrar, tenho certeza. Todo mundo conhecia ela e eu tenho convicção que se alguém tivesse visto não teria deixado. Até eu, que sou marido, se me atrevesse a levantar a voz era corrigido pelos vizinhos. Ela tinha um olhar vivo e era amada por todos", disse o marido.
Prisão
O suspeito João Paulo Castro Moreira, de 30 anos, foi preso na noite desde sábado e autuado em flagrante por homicídio. Ele estava escondido em um imóvel em Mussurunga. Dono de um lava a jato, ele usou o carro de um cliente, uma Toyota Hilux, para abandonar o corpo da vítima no local.
"Vamos aprofundar as investigações para descobrirmos se agiu sozinho ou com ajuda de outra pessoa. Parabenizo as equipes que passaram todo o dia atrás deste criminoso", declarou a delegada Simone Moutinho Borges, do Departamento de Homicídio e proteção à Pessoa (DHPP).
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