quarta-feira, 15 de novembro de 2017

‘PROIBIDÃO’: MP pode retirar clipe de funkeiro mirim da Internet por apologia ao sexo



“A novinha linda que mora aqui no lado ta cheia de papim no Whatsapp/Bumbum gostosão, corpo sedutor foi por isso que o Doguinha se encantou. Vem e brota aqui na base, vamos fazer sacanagem/Sei que você tem vontade então senta um pouquinho”.
Visto que o funk tem, entre tantas, diversas letras com forte apelo sexual, o trecho acima pode até não surpreender. Porém, a letra em questão levantou um debate intenso, nos últimos dias, por ser cantada por um garoto de 12 anos, mais conhecido como Mc Doguinha.
                    'PROIBIDÃO': MP pode retirar clipe de funkeiro mirim da Internet por apologia ao sexo
O videoclipe da música lançada há poucas semanas já passa dos 20 milhões de visualizações no Youtube. Nas imagens, o menino leva vida de adulto, regada à luxúria e ostentação, com carros luxuosos, mansão, cordão de ouro e mulheres seminuas interagindo com o funkeiro mirim, em busca do seu apreço.
Apesar de repetir no clipe recursos comumente utilizados por artistas do gênero, o sucesso do vídeo e a naturalização dos atos de uma criança de 12 anos perante à sexualização chamou atenção de diversas pessoas nas redes sociais.
DENÚNCIA 
A polêmica envolvendo Doguinha, cujo o nome verdadeiro é Douglas, cresceu ainda mais nesta semana, após o Ministério Público do Rio instaurar um inquérito civil para tentar retirar do Youtube o clipe de “Vem e brota aqui na base”.
De acordo com a 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Criança e do Adolescente da capital, o vídeo faz “apologia a práticas erótico-sexuais”. Para o MP carioca, a postura de Doguinha nas imagens fere os princípios da proteção integral da criança e do adolescente e da finalidade social da internet. A Legenda Funk, produtora responsável pelo clipe, o Google e a família do menor foram notificadas pelos promotores estaduais que pedem a retirada do link da internet em até 30 dias.
                  
Morador do Morro do Sossego, em Duque de Caxias, região da Baixada Fluminense, Doguinha canta letras de cunho sexual desde os nove anos e atualmente faz até sete shows por noite, em diversas partes do Rio de Janeiro. Outras músicas com forte apelo sexual como  “Quero você – vai empinando” e “Viciei na sua sentada”, fazem parte do repertório do funkeiro mirim que, em sua página oficial no Facebook, publica imagens das festas sempre lotadas.
Em vídeos publicados na internet, Doguinha aparece cantando outros versos pornográficos, sempre na presença de adultos que parecem não enxergar nenhum problema enquanto o garoto canta “Bota a camisa na minha cabecinha” e “novinha para de caô e desce logo na minha p***”.
OUTRO LADO 
Em entrevista recente para o Jornal Extra, o empresário Everton dos Reis Varjão, conhecido também como Dudu Traineiras, um dos responsáveis pelo agenciamento da carreira de Doguinha, criticou a medida do Ministério Público do Rio.
O produtor – que atua na área do funk há mais de 15 anos – alega exagero e preconceito por parte das autoridades já que, segundo ele, todos os menores envolvidos na produção do clipe tiveram a autorização dos responsáveis que acompanharam as gravações e que, agora, o menino é visto como referência entre os colegas de escola. “Acho que está acontecendo um exagero, um preconceito devido ao fato de ser um menino negro da favela cantando funk, estilo que já é marginalizado desde o berço”, afirma.
O empresário ainda comentou sobre o conteúdo erótico das letras, já que uma das principais críticas feitas pelos internautas a respeito da música e do clipe foi o trecho do refrão “Vem e brota aqui na base, vamos fazer sacanagem”, além da interação excessiva de mulheres seminuas com o pré-adolescente.
De acordo com  Everton, o clipe foi feito com crianças. “A principal menina, a que mais interage com ele, também tem 12 anos, inclusive. São da mesma idade. Eu fiz um clipe com crianças. E o que significa sacanagem? É travessura, é brincadeira”, respondeu.
A POLÊMICA NÃO É DE HOJE
A adulteração e sexualização de crianças no funk é alvo de inquéritos desde 2015 pelo Ministério Público de São Paulo. Pelo menos sete cantores são alvos da investigação que busca verificar os “impactos nocivos” no desenvolvimentos dos jovens e do público.
O promotor Eduardo Dias de Souza Ferreira pretende analisar, ainda, a conduta dos empresários que gerenciam as suas carreiras. Os funkeiros MC Melody e os MCs Pedrinho, Brinquedo e Pikachu são os principais alvo da ação do MP, que investiga por meio da Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos da Infância e da Juventude da Capital.
Aratu Online

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