segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Traficantes são mortos após tiroteio com a PM no bambuzal do Aeroporto



Segundo a SSP, Diego Figueredo, que havia acabado de desembarcar, e um comparsa do BDM reagiram a interceptação
Uma das lideranças da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM), o traficante Diego Ferreira Figueredo, conhecido como Açúcar, morreu, na tarde desta segunda-feira (9), após desembarcar no Aeroporto Internacional de Salvador. Acusado de participar de roubos a bancos, homicídios e tráfico de drogas, ele chegou em um voo que saiu de São Paulo e foi recebido por um comparsa, que o aguardava em um veículo Ágile branco. Ao passar pelo bambuzal, na única via de entrada e saída para carros do terminal, os dois reagiram a uma operação policial montada para prender Açúcar.
Esperavam pelo traficante equipes da Força-Tarefa da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Batalhão de Choque, Esquadrão Águia e do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco). A dupla foi atingida, socorrida para o Hospital Menandro de Farias, em Lauro de Freitas, mas não resistiu aos ferimentos.
De acordo com a SSP, o homem que dava cobertura a Açúcar ainda não havia sido identificado. O CORREIO foi até o hospital, mas o bandido foragido não constava na lista dos baleados que deram entrada no hospital. No registro do posto policial do Menandro de Farias constavam como baleados Aloizio Ribeiro da Silva, 43 anos, e Marcos dos Santos, 36. A assessoria da pasta explicou que é comum os bandidos utilizarem documentação falsa. Foi o caso do traficante Marreno, morto em agosto (ver abaixo).
Com os dois baleados foram apreendidas uma espingarda calibre 12 e uma pistola. De acordo com testemunhas, cerca de dez tiros foram disparados durante a operação policial, por volta de 16h30.
"Cerca de 30 policiais estavam acampados nessa rua de trás esperando que eles passassem. Eles nos orientaram a ficar dentro da loja durante a operação. Na hora que o carro passou, eles fecharam a pista e teve o tiroteio. Foi mais ou menos uns dez tiros. Quando acabou, uns cinco policiais ainda foram vasculhar a área do bambuzal, mas voltaram sem nada", afirmou o funcionário de uma locadora, que preferiu não se identificar. A situação causou cerca de 40 minutos de engarrafamento na região.
Ao menos 15 policiais e uma viatura estavam aguardando perícia quando a reportagem do CORREIO chegou ao local. Eles não quiseram dar maiores informações.
"Eles estavam parados aqui nessa rua e quando viram o carro, deram muito tiro. Os bandidos revidaram e acabaram baleados. A polícia retirou os corpos e a gente não viu mais nada. Quando aconteceu, todo mundo saiu correndo para se esconder", contou outra testemunha, sem se identificar.
Açúcar integrava a quadrilha que tem como um dos líderes Venicio Barcellar, conhecido como Fofão, capturado na capital paulista (saiba mais abaixo). Fofão será encaminhado para Salvador nesta terça-feira (10).
Em agosto, outros dez criminosos ligados ao Bonde do Maluco foram presos em uma megaoperação na Região Metropolitana de Salvador e em Aracaju (SE).
Na ocasião, 13 armas, entre elas um fuzil M15, de fabricação norte-americana, calibre 556, nove pistolas dos calibres 9 milímetros, ponto 40, 45 e 380 e três revólveres calibres 38 foram apreendidos. A polícia encontrou ainda R$ 85 mil em espécie, além de 21 kg de maconha.
“Esses são indivíduos de altíssima periculosidade, que fugiram para outro estado após fecharmos o cerco, mas não por muito tempo”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa. Segundo a assessoria da SSP, o policiamento será reforçado na região onde os bandidos atuavam.
Quase preso
No último dia 18 de agosto, Açúcar quase foi preso durante a Operação Balão Mágico, também deflagrada pela Força-Tarefa da SSP, em Salvador e Região Metropolitana, além de Aracaju, com apoio da polícia sergipana. Na ocasião, dez pessoas ligadas ao BDM foram presas e outra morreu. Dois dos presos estavam em Aracaju, quando foram capturados.
Segundo o diretor do Draco, Marcelo Sansão, o grupo atuava nos municípios de Simões Filho e Camaçari, na RMS, e começaram a ser investigados em abril deste ano.
Morte de outro líder
A apuração, no entanto, foi intensificada após a morte do traficante Marcelo Batista dos Santos, o Marreno, ocorrida no dia 9 de agosto, em confronto com homens da Força-Tarefa da SSP, com o apoio de unidades do Comando de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar, na Linha Verde. Ele e o comparsa e motorista dele, Anselmo Nascimento Sena, também teriam reagido à abordagem e acabaram atingidos, segundo a SSP. Socorridos para o Hospital de Simões Filho, não resistiram aos ferimentos.
Marreno era considerado um dos 80 alvos principais da polícia baiana. Segundo monitoramento feito pela polícia, antes de ser morto, ele estava morando em uma cidade do interior de Alagoas e dando as ordens via telefone para os integrantes da facção. Em reação à morte do traficante, um ônibus foi queimado na região do Centro de Convenções, no dia 10 de agosto, e houve toque de recolher na Boca do Rio, no dia seguinte. 
                
As investigações indicam que Marreno fazia contato com presos custodiados no sistema prisional e determinava o assassinato de rivais. Em janeiro de 2011, ele foi preso com outras nove pessoas suspeito de participar do assalto ao Banco do Brasil, ocorrido no município de Iaçu, no Centro-Norte do estado. Durante a ação, ele fez um delegado de refém e roubou a arma do investigador.
Os dez suspeitos presos logo após a morte de Marreno, durante a Balão Mágico, estavam em casa, em Salvador, Aracaju e Camaçari, quando foram surpreendidos pelos policiais, em 18 de agosto. 
Carta fora do baralho
                     
Segundo o Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro da SSP, Venicio Bacellar, o Fofão, comandava o grupo preso na Operação Balão Mágico. Ele é o 3 de Ouros do Baralho do Crime, e morava na capital sergipana. "Ele tem, pelo menos, quatro identidades. Era quem comandava esse grupo. Tentamos cumprir o mandado de prisão dele, mas ele conseguiu escapar", comentou Oscar Vieira, coordenador do laboratório, na ocasião da prisão de dez suspeitos. A captura de Fofão ocorreu em São Paulo, de onde Açúcar veio nesta segunda.
Segundo a polícia, o principal comparsa de Venicio era o primo dele, André Luís Bacellar da França. Ele seria o responsável por coordenar a área financeira do BDM, recrutando laranjas e fazendo a lavagem de dinheiro da quadrilha. André Luís morava em uma casa de luxo em Camaçari, no mesmo terreno que outros familiares, e foi preso em flagrante em agosto.
De acordo com o Draco, o dinheiro apreendido na Balão Mágico (R$ 85 mil) foi encontrado dentro de um cofre escondido num freezer desligado no sótão da casa de André Luís. 
                    
A polícia informou, em agosto, que André Luís contava com a ajuda de dois gerentes que administravam o tráfico de drogas: Laelson Santana Santos, o Galego, e outro homem identificado apenas como Lucas. O primeiro morreu durante uma troca de tiros com policiais da Força-tarefa e do Bope, em 18 de agosto. O segundo, conseguiu fugir. Os outros integrantes da quadrilha atuavam no financiamento ou na distribuição das drogas.
Foram presos também Mariana Oliveira Costa, Geraildo Silva dos Santos, Wagner Bacellar Costa, Daniela Santos Canuto, Caio Vinícius Nascimento Santos, Maria Auxiliadora Bacellar Costa e Sérgio de Jesus Lima; este último não era alvo da operação, mas estava com Geraildo quando os policiais chegaram e, por isso, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma e tráfico de droga.
Em Aracaju, os policiais capturaram Luís Henrique Oliveira de Freitas e Juliana Santos Teles da Silva. Todo esse grupo, exceto Sérgio, possuía mandado de prisão. Os dez suspeitos foram indiciados por tráfico de drogas, associação ao tráfico, lavagem de dinheiro e porte ilegal de arma. Dois adolescentes também foram apreendidos por suspeita de envolvimento com a quadrilha.
Bonde do Maluco
Um dos cinco grupos criminosos mais atuantes na Bahia, e considerado o mais violento, o BDM surgiu em 2015 no pavilhão V do Presídio Salvador, no Complexo da Mata Escura. Liderada pelo assaltante de banco Zé de Lessa, que está foragido, a facção nasceu como uma ramificação da facção Caveira, comandada por Genilson Lima da Silva, o Perna, atualmente preso no Presídio Federal de Catanduvas (PR).
                   
Seguindo modelo semelhante às maiores organizações criminosas do país - PCC, de São Paulo, e Comando Vermelho, do Rio -, o BDM foi criado para ampliar a área de atuação da facção Caveira, nesse caso, na Bahia, em alguns pontos estratégicos do tráfico da capital, como Subúrbio e Cajazeiras, e principalmente na RMS.
Número 1 do Bonde do Maluco, Zé de Lessa já chegou a ser preso, mas foi solto e é procurado (Foto: Divulgação)
No entanto, houve um racha e uma parte do grupo mais agressiva ficou sob o comando do assaltante de banco José Francisco Lumes, o Zé de Lessa, procurado atualmente pelas polícias Civil, Militar e Federal.
Atualmente, a facção tem atuação em Cajazeiras, Brotas, parte do Subúrbio e orla (entre a Boca do Rio e Itapuã), Cabula, Garcia, Pau da Lima e parte da Ilha de Itaparica. A expansão começou por Cajazeiras X.
Correios

tags

0 comentários:

Postar um comentário